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Sem crédito, liquidação até de imóvel

A crise de liquidez de crédito provocou, nas últimas semanas, uma liquidação quase generalizada em vários setores da economia. Do tradicional comércio de eletroeletrônicos, de materiais de construção e de veículos, a onda de promoções chegou até às construtoras e aos cruzeiros marítimos.

Agência Estado |

A ordem do departamento comercial das empresas é dar desconto, esticar prazos de pagamento e fixar valor de dólar abaixo da cotação real do mercado para manter o ritmo de vendas.

Embora as companhias não admitam que o objetivo das liquidações seja transformar os estoques de produtos e serviços em dinheiro e ganhar fôlego para enfrentar os tempos bicudos de capital de giro caro e escasso nos bancos, as evidências desse movimento não são poucas. Além disso, o dinheiro em caixa acaba sendo uma moeda de troca valiosa na mão do comércio para frear os aumentos de preços da indústria, que já começaram a se desenhar por causa da disparada do câmbio.

"Diante da desaceleração nas vendas e do crédito limitado, as empresas precisam se mexer, colocar o estoque para fora, especialmente de produtos de maior valor, como eletrodomésticos, veículos e imóveis", afirma o professor da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da Universidade de São Paulo (USP), Nelson Barrizzelli. Ele explica que a estratégia da liquidação para impulsionar as vendas faz sentido neste momento porque o movimento de freada nas compras não foi desencadeado pelo consumidor, que continua empregado. A desaceleração das vendas no varejo é resultado da abrupta redução na oferta de crédito.

O que chama a atenção é que as liquidações ou promoções ocorrem também em setores inusitados. A construtora Agra e a incorporadora Abyara, por exemplo, criaram um site na internet para liquidar imóveis, batizado de Supertudo. Inicialmente a campanha promocional estava prevista para terminar em outubro, mas, segundo o diretor Comercial da Agra, Eduardo Telles, foi prorrogada para este mês em razão do bom desempenho.

A campanha envolve cerca 170 apartamentos de alto e médio padrão, a maioria em fase de construção, localizados em São Paulo, Santos (SP) e São Bernardo do Campo (SP). Os descontos variam entre 5% e 15% no valor total do imóvel. As duas companhias optaram por alongar o prazo de pagamento, reduzir o valor da entrada.

"Já vendemos mais de cem apartamentos em duas semanas", conta Telles. É a primeira vez que as duas companhias fazem uma promoção tão agressiva. "Estamos transformando os estoques em capital de giro com responsabilidade", pondera o diretor.

A construtora e incorporadora Even lançou uma campanha com descontos que chegam a mais de 20% sobre o preço à vista de imóveis em São Paulo e São Bernardo do Campo. Um apartamento de quatro dormitórios localizado no Butantã sai de R$ 470,5 mil por R$ 345 mil, à vista (desconto de 26,7%).

As revendas de veículos também estão fazendo de tudo para colocar carros seminovos nas ruas. Antonio Carlos Palazzini, dono da Palazzo, diz que ficou impraticável buscar capital de giro nos bancos. "Quero reduzir os estoques de seminovos."

Para isso, aposta no desconto de 20% no preço à vista dos veículos. Um Astra Sedan Confort, ano 2005, que custava R$ 37,5 mil, sai hoje por R$ 29,9 mil. Com isso ele reduziu de 600 para 400 o estoque de veículos. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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