A estatal russa Gazprom cortou ontem o envio de gás à Ucrânia alegando quebra de contrato por falta de pagamento. O presidente ucraniano, Viktor Yushchenko, um adversário político do Kremlin, afirmou que deseja retomar as negociações com Moscou e espera resolver a disputa sobre a dívida e o preço das tarifas referentes a 2009 até o dia 7.

Segundo a estatal ucraniana de gás, a Naftogaz, o país está disposto elevar o preço que paga para até US$ 235 por mil metros cúbicos de gás - US$ 15 a menos do que pede a Rússia. A Ucrânia diz ter reservas suficientes para abastecer a população até abril.

Representantes da União Europeia (UE) pediram que os países se empenhem em chegar a um acordo. "Todos os compromissos para suprir e transmitir gás devem ser honrados", pediu um comunicado do bloco.

O corte no fornecimento preocupa a UE, que recebe um quinto do gás que consome pelos gasodutos russos que atravessam a Ucrânia. Um porta-voz da Gazprom garantiu que o suprimento dos demais países da Europa não será afetado. A Naftogaz também garantiu que não tem intenção de prejudicar o envio de gás à UE.

Mas a interrupção do fornecimento à Ucrânia pode causar um efeito em cascata se houver uma redução da pressão nos dutos. Segundo analistas, a UE estaria preparada para suportar apenas alguns dias sem o gás russo. Em janeiro de 2006, uma disputa semelhante entre Rússia e Ucrânia deixou países da Europa sem gás em pleno inverno.

No Texas, um porta-voz do presidente dos EUA, George W. Bush, pediu que Moscou e Kiev levem em conta as implicações humanitárias do corte no fornecimento de gás. A crise também pode causar problemas financeiros, tanto para Ucrânia como para a Rússia.

Os gasodutos que cruzam o território ucraniano são a maior fonte de lucro em moeda estrangeira para a Gazprom, maior companhia da Rússia. A Ucrânia, cuja economia foi seriamente afetada pela crise financeira global, principalmente com desvalorização de sua moeda e a fuga de capitais, recebe repasses pela utilização dos dutos em seu território.

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