A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em expressiva queda nesta quinta-feira, seguindo o movimento negativo dos mercados internacionais. A bolsa paulista fechou em queda de 3,77%, aos 36.361 pontos. O giro financeiro foi de R$ 3,96 bilhões.

Com esse resultado, a Bovespa apagou os ganhos dos primeiros pregões de novembro e passa a acumular perdas no mês de 2,4%. No ano, o desempenho está negativo em 43,08%.

Os números fracos da economia real que pipocam pelo mundo e os indícios de que o pior ainda não apareceu justificaram o comportamento do mercado.

Segundo um experiente profissional de renda fixa de um banco doméstico, os investidores reagiram hoje aos indicadores ruins da economia real que vêm sendo conhecidos em todo o mundo. "Os dados já divulgados são fracos e tudo indica que eles ainda devem piorar nos próximos meses", comentou ao lembrar de alguns que saíram hoje.

No Japão, por exemplo, a montadora Toyota, que durante muito tempo foi considerada imune à queda das vendas de automóveis nos EUA, disse que seu lucro despencou quase 70% no último trimestre, para o pior nível pelo menos desde abril de 2002. A produtora chinesa de alumina e alumínio Chalco e a siderúrgica alemã Salzgitter anunciaram cortes de produção superiores a 30%. No Brasil, o setor automotivo informou que as vendas em outubro foram 11% menores do que em setembro - embora o patamar seja bastante elevado e ainda não se configure uma crise.

Com a recessão na esquina, o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco da Inglaterra (BoE) cortaram suas taxas de juros. Mas enquanto o BCE seguiu o roteiro e reduziu a taxa em 0,50 ponto porcentual, para 3,25% ao ano, o BoE surpreendeu e anunciou 1,5 ponto porcentual de baixa, de 4,5% para 3% ao ano. Após o anúncio do BoE, as bolsas européias tiveram uma reação favorável, mas o fôlego não durou e os índices fecharam com quedas firmes: o de Londres caiu 5,7%, o de Paris cedeu 6,38% e o de Frankfurt recuou 6,84%.

Na releitura, os investidores interpretaram os cortes como sinal de que as condições da economia da região são piores do que se esperava. E a explicação, segundo Simon Ward, economista da New Star Asset Management, é a de que, embora uma ação drástica se justifique, "há risco de a munição acabar muito rapidamente". Isso vale principalmente para o corte agressivo do BoE.

Em Wall Street, os índices registravam quedas elevadas, refletindo a preocupação dos investidores após uma nova rodada de fracos indicadores: aumento no número de trabalhadores beneficiados pelo seguro-desemprego e declínio nas vendas de grande parte das empresas varejistas nos EUA. "O próximo passo para os mercados é determinar a duração e a profundidade da crise econômica. Os dados não precisam melhorar para provocar um rali, precisam apenas parar de piorar", disse Tony Crescenzi, estrategista de mercado de bônus do Miller Tabak & Co. Às 18h18, o Dow Jones caía 4,54%, o S&P, 4,61% e o Nasdaq, 3,65%.

Entre os ativos de maior peso na carteira do Ibovespa, Petrobras PN caiu 5,56%, para R$ 22,90; Vale PNA perdeu 3,76%, para a R$ 24,80; BM & FBovespa ON teve queda de 8,05%, para R$ 5,48; Bradesco PN se desvalorizou 5,24%, a R$ 23,66; e Vale ON cedeu 3,16%, para R$ 37,50.

Dólar

Apesar dos leilões do Banco Central para tentar conter a alta do dólar, a moeda americana teve valorização expressiva ante o real nesta quinta-feira e fechou a R$ 2,203, com alta de 4,01%.

"Não é um estresse do mercado cambial (doméstico), estamos reagindo aos mercados lá de fora", afirmou Jorge Knauer, gerente de câmbio do Banco Prosper no Rio de Janeiro.

Knauer ressaltou ainda que o dólar também se valorizava frente a outras moedas, refletindo a queda nas cotações de matérias-primas.

Na sessão, o Banco Central voltou a atuar, realizando dois leilões de venda de dólares no mercado à vista e um de swap cambial tradicional.

"O Banco Central tem feito leilões, mas eu acho que é bater em ferro frio", afirmou João Medeiros, diretor de câmbio da Pioneer Corretora, referindo-se à alta do dólar apesar da contínua atuação do BC.

(Com informações do Valor Online, Reuters e Agência Estado)

Leia também

Para saber mais

Serviço 

Opinião

    Leia tudo sobre: bovespa
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.