BRASÍLIA - Embora ressaltando ser uma decisão de política econômica, o novo secretário-adjunto da Super Receita, Otacílio Cartaxo, disse hoje que é possível o governo rever a alíquota ampliada do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Até agosto, o governo já arrecadou R$ 8,11 bilhões dos R$ 8,5 bilhões adicionais que esperava como o aumento do IOF em janeiro para substituir a CPMF.

"Se não ocorrem fatores adversos ao crescimento da economia, é possível que o governo possa rever", afirmou. "Mas isso é da competência do ministro da Fazenda", complementou.

Técnicos do setor de arrecadação destacaram que o governo não previa uma expansão tão robusta do crédito, quando fez a previsão sobre a receita adicional com o aumento do IOF em janeiro.

A Super Receita aponta no relatório sobre a arrecadação de agosto que as operações de crédito das pessoas jurídicas tiveram expansão real (descontada a inflação pelo IPCA) de 42,29%, e das pessoas físicas, de 30,67% em agosto sobre igual mês de 2007.

"Uma justificativa econômica para esse aumento, eu não posso dar", disse Cartaxo. De acordo com o Fisco, no mês passado o recolhimento do IOF ficou em R$ 1,916 bilhões, crescimento real de 171,04% sobre agosto de 2007. Uma das contribuições principais foi da taxação de 1,5% sobre ingressos de capital estrangeiro para aplicações em papéis de renda fixa no país.

De janeiro até agosto, o IOF já rendeu R$ 13,455 bilhões aos cofres públicos, ante R$ 5,345 bilhões coletados no mesmo intervalo do ano passado. A variação real foi de 151,72%, segundo o Fisco.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

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