A comercialização de imóveis residenciais novos na cidade de São Paulo cresceu 62,6% em agosto em relação a julho, totalizando 4.146 unidades, segundo dados divulgados hoje pelo Sindicato das Empresas de Compra e Venda de Imóveis (Secovi).

O desempenho de comercialização medido pelo indicador de Vendas Sobre Oferta (VSO), em porcentual, foi de 20,7% no oitavo mês do ano, inferior apenas aos índices registrados, no ano, em maio (21,8%) e março (20,9%).

Segundo o sindicato, o ritmo de escoamento dos segmentos de dois e três dormitórios contribuiu para o resultado de agosto. O nicho de dois dormitórios atingiu desempenho médio de 28,7%, enquanto o VSO do segmento de três dormitórios foi de 26,3%.

"Apesar do excelente resultado verificado no mercado de imóveis de dois dormitórios, a liderança das vendas em unidades ficou com o de três dormitórios, responsável por praticamente metade do total computado em agosto, com 2.042 imóveis (49,25%)", afirma em nota o vice-presidente de Tecnologia e Relações de Mercado do Secovi-SP, Alberto Du Plessis Filho.

Cerca de 85% do volume negociado em agosto foi composto por unidades ainda no período de lançamento, ou seja, imóveis em oferta com até seis meses desde o momento da colocação em oferta. O VSO médio desse segmento atingiu 32,9% no mês.

Os lançamentos residenciais na cidade de São Paulo atingiram 23,1 mil unidades no período de janeiro a agosto deste ano, um crescimento de 37,7% em relação ao mesmo período de 2007, conforme a Empresa Brasileira de Estudos sobre Patrimônio (Embraesp). De acordo com a Pesquisa Secovi, as vendas atingiram 25,9 mil moradias nesse intervalo, um incremento de 33,2% sobre o total comercializado nos oito primeiros meses de 2007.

O VSO médio mensal observado no período de janeiro a agosto, de 16,3%, já superou a média anual de 2007 (16,2%). É bom lembrar que o ritmo médio registrado entre janeiro e agosto do ano passado foi de 13,8%.

Crise

Em relação aos impactos da crise financeira mundial sobre o setor, o economista-chefe do sindicato, Celso Petrucci, destaca que a sondagem realizada pelo Secovi-SP com empresários do setor detectou que não há consenso sobre o impacto da crise no mercado imobiliário da capital paulista.

"Empresas de diferentes portes informaram que a dinâmica de vendas não foi afetada pela crise em setembro, mas as opiniões sobre outubro divergem. Há quem afirme que compradores em visita aos estandes se mostram receosos em relação ao futuro e hesitam em assumir compromissos. Outros dizem que existe uma procura crescente por imóvel em função da volatilidade do mercado financeiro", afirma o economista.

A entidade informa ainda que as empresas estão revisando os lançamentos do fim de 2008 e de 2009. "Trata-se de iniciativa absolutamente normal em época de mudanças no cenário econômico, e o que se torna relevante é observar a manutenção da expectativa de crescimento da produção em relação a este ano, ainda que em menor grau", avalia Petrucci.

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