A seca nos empréstimos entre os bancos é a maior em 30 anos. Mas enquanto bancos americanos ficavam simplesmente sem créditos, bancos brasileiros continuaram a receber recursos cada vez maiores no segundo trimestre do ano.

Dados revelaram ontem que a crise de confiança nos bancos começou bem antes de qualquer governo ter decidido tomar medidas.

Informações divulgados pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS, sigla em inglês) concluíram que os empréstimos bancários entre países caíram em US$ 1,1 trilhão no segundo trimestre de 2008, enquanto os países emergentes e o Brasil viu uma alta nos fluxos. A queda geral, porém, é a maior desde os anos 70 em termos de volume.

O banco central dos bancos centrais, como o BIS é conhecido, ainda aponta que havia um aumento dos empréstimos para os bancos no Brasil e nos países emergentes, enquanto a crise começava a se instalar nos Estados Unidos. As estatísticas do BIS deixam claro a amplitude do problema. "No segundo trimestre de 2008, os bancos que formam o BIS indicaram que seus empréstimos internacionais caíram em US$ 1,1 trilhão para US$ 39,1 trilhões", afirmou o BIS.

Já o Brasil seguiu uma direção contrária. A alta passou de US$ 167 bilhões em março para US$ 188 bilhões em junho. Os bancos mais expostos no Brasil são os franceses, com US$ 21 bilhões, os holandeses com US$ 90 bilhões, os espanhóis com US$ 71 bilhões, os suíços com US$ 32,9 bilhões, ingleses com US$ 55 bilhões e os americanos, com US$ 47 bilhões. Os bancos europeus praticamente dominam as posições externas no mercado brasileiro.

No total, a exposição desses bancos ao Brasil chegou à US$ 371 bilhões, contra US$ 6,2 trilhões nos Estados Unidos. Os recursos nos bancos também aumentaram e não houve saques acima de depósitos. A alta nesse caso foi de US$ 8,1 bilhões para os bancos brasileiros, somando US$ 69 bilhões.

O Lehman Brothers só quebrou em meados de setembro. Mas os dados revelam que os problemas já eram graves antes mesmo de as bolsas suspeitarem.

Sem confiança nos demais bancos, as instituições financeiras simplesmente pararam de emprestar entre abril e junho deste ano.

A queda, de 3%, é mais de duas vezes superior à maior redução que o BIS já conhecia. Essa queda ocorreu em 1998, quando os empréstimos bancários encolheram em 1,2%. A redução ainda é três vezes maior que a queda após o estouro da bolha da Internet, em 2001. "A redução de recursos foi centrada em créditos intra-banco de curto prazo em dólares americanos", informou o BIS.

Segundo o BIS, os empréstimos e créditos para os bancos em mercados emergentes aumentaram em 4% no trimestre, adicionando US$ 117 bilhões. No primeiro trimestre, esse volume havia sido de US$ 178 bilhões. No caso dos bancos europeus, eles aumentaram em US$ 10 bilhões os créditos para as economias latino-americanas.

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