Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Schwartsman aposta em alta do dólar, mas temporária

RIO - O economista-chefe do Santander, Alexandre Schwartsman, afirmou que há condições técnicas para uma alta forte do dólar, mas não crê que o movimento será duradouro. Para ele, com a atual composição da dívida brasileira, a tendência é a melhora da solvência do país com a depreciação cambial.

Valor Online |

"De fato, o câmbio não se sustenta. Com o câmbio a R$ 2, a (relação) dívida/PIB caía para 37,5%, com R$ 2,17, cai para 36,5%. Uma hora vão olhar e dizer: 'esse país está se tornando altamente solvente'", frisou Schwartsman, que participou hoje do seminário "A Crise Financeira Internacional: Recessão X Inflação", promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pelo Valor Econômico no Rio de Janeiro. A taxa mais alta que o dólar alcançou hoje até o momento foi R$ 2,187.

O economista, que foi diretor do Banco Central, ressaltou ainda que movimentos como o vivido hoje pela Bovespa - hoje o pregão chegou a ser paralisado duas vezes por ter caído 10% e 15% no período da manhã - também são normais e esperados para uma bolsa altamente concentrada em ações de empresas produtoras de commodities.

"Os movimentos de bolsa podem ser de prazo muito curto. Mas não dá para imaginar que a bolsa brasileira, que é pesada em commodities, não vá sofrer de alguma forma o efeito da oscilação de preços desses produtos", ponderou.

Schwartsman não quis fazer previsões sobre os indicadores econômicos brasileiros. Segundo ele, como o cenário está "fluído demais", as projeções são mantidas inalteradas desde o início da crise, na casa de 5,3% para o PIB este ano e 3,5% para o ano que vem. Já a inflação tem projeção de 6,3% para este ano e 4,5% para 2009.

"Mas acho que o viés é de mais inflação e menos crescimento", acrescentou.

O economista acredita também que o atual momento é de aperto monetário, de forma a tentar controlar a demanda doméstica. Ele não vê contradição entre essa tendência e a ação do BC, tomada na semana passada, de reduzir o compulsório. Segundo ele, o BC europeu é um exemplo de autoridade monetária que elevou a liquidez no ano passado e aumentou os juros neste ano.

"Não é contradição. São coisas distintas. Uma é gestão de liquidez e outra é gestão de política monetária", disse. "São instrumentos distintos para objetivos distintos", concluiu.

O diretor de Política Econômica do BC, Mário Mesquita, também presente ao evento, saiu sem dar declarações à imprensa. Em sua palestra, evitou dar indicações sobre o entendimento do BC em relação à crise. Apenas ponderou que o aquecimento das vendas de varejo que, segundo ele, refletem a situação do crédito e da massa salarial, são um "fator de resiliência" da economia brasileira em relação à crise. Mesquita também ressaltou que o BC conseguiu limitar a aceleração das perspectivas de inflação para médio prazo e trabalha agora para trazer as projeções de inflação para perto do centro da meta de 4,5% para 2009 e 2010.

(Rafael Rosas | Valor Online)

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG