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Schwab a Amorim: Celso, pare de nos dar aula

A reunião de mais de sete horas, ontem, na Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, foi tensa, marcada por troca de farpas entre ministros. Os países ricos se uniram para pressionar os emergentes a fazer mais concessões no setor industrial e insinuando que já havia um acordo agrícola.

Agência Estado |

O resultado foi a subida na temperatura. O Estado teve acesso a partes da reunião que quase abriu uma crise na OMC.

Um dos momentos mais tensos foi quando a representante de Comércio da Casa Branca, Susan Schwab, pediu ao chanceler Celso Amorim que parasse de falar. "Celso, pare de nos dar uma aula", disse. Amorim respondeu energicamente, alegando que falava de conteúdo. "Quem tem a palavra agora, Pascal (Lamy)?", perguntou Amorim ao diretor da OMC.

No fim de semana, o chanceler criou polêmica ao afirmar que os países ricos usavam técnicas nazistas de desinformação. A Casa Branca deu por encerrada a polêmica, mas a tensão continuou. Para um embaixador latino-americano, Amorim tentou ser "Madre Teresa de Calcutá" ao defender os interesses dos países pobres.

Amorim também entrou em conflito com o comissário de Comércio da União Européia (UE), Peter Mandelson. Mandelson disse não entender porque, quando ouvia o presidente Lula, tinha a impressão de que o Brasil faria concessões na área industrial, mas, quando ouvia Amorim, tinha a impressão de que não haveria espaço para negociar. "Então, vamos telefonar agora para o presidente Lula", retrucou o chanceler.

Amorim, que chamou a reunião de segunda-feira de inútil, disse que a de ontem foi "útil, mas sem progressos". "Foi um longo dia", disse Schwab. Para Mandelson, o dia foi "intenso", com "debates acalorados". "Tivemos altos e baixos, mas há países que precisam entender que esta não é só uma rodada de agricultura", disse. Ele criticou o fato de alguns países colocarem em dúvida o mandato para abrir mercados industriais. Para Amorim, Mandelson está tentando tirar o foco do processo, que é a agricultura.

Para o europeu, está na hora de passar a discutir só a liberalização industrial, insinuando que já havia um acordo sobre a agricultura. "Já estamos deixando a agricultura para trás", afirmou. O Brasil negou que o acordo esteja próximo.

Começo

Fora da sala, o representante da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Ricardo Cotta, pedia que o governo não rejeitasse a proposta. "Os americanos chamaram para o jogo. Claro que podem fazer mais. Mas não vamos jogar a proposta no lixo", disse. "É um bom começo",comentou o secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Célio Porto.

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