Saúde e Educação, as prioridades Por Rodrigo Martins e Bruno Galo São Paulo, 29 (AE) - O próximo prefeito de São Paulo terá a missão de avançar, e muito, na relação eletrônica entre a Prefeitura e o cidadão. Segundo especialistas, até agora o município apenas engatinha no sentido de desburocratizar os serviços, resolver questões a distância e dar maior transparência a suas ações.

As prioridades, dizem, deveriam ser nas áreas de saúde, educação e empresas.

Uma pesquisa de 2007 da Secretaria Estadual de Gestão apontou a cidade como a mais desenvolvida do Estado em governo eletrônico. Só que, ao mesmo tempo, deu uma nota de 3,58, em uma escala de 0 a 10, aos seus serviços prestados via web. "E não mudou muita coisa. A nota continua valendo", diz o responsável pelo estudo, o presidente do Instituto de Estudos de Governo Eletrônico, Norberto Torres.

A pesquisa comparou a quantidade e a qualidade dos serviços prestados com o de cidades como Nova York e Seul. "No site da cidade de São Paulo, há mais páginas estáticas, com informações sobre serviços, do que serviços propriamente ditos. É pouca coisa que se consegue realizar online."
A secretária de Gestão do município, Malde Vilas Bôas, questiona os critérios para a nota. "A pesquisa não levou em conta os processos internos da Prefeitura, só o site", reclama. "No governo eletrônico, o portal é importante, mas, mais do que isso, é a infra-estrutura tecnológica e a integração de informações que permite disponibilizar esses serviços."
De acordo com Malde, a gestão atual implementou um padrão de políticas de tecnologia, definindo como os órgãos municipais devem atuar em serviços eletrônicos ao cidadão, e completou a informatização de "100% dos órgãos municipais", interligando as informações de toda a Prefeitura em um ambiente único. "Organizamos a Prefeitura do lado de dentro para que possa disponibilizar serviços ao público."
Para Tânia Tonhati, que pesquisou os serviços online da Prefeitura entre 2001 e 2006 e defendeu sua tese de Mestrado na Universidade Federal de São Carlos em 2007, é preciso acelerar a disponibilização de serviços. "São muito poucos hoje. As áreas de educação e saúde deveriam ser as prioridades", diz. Segundo ela, permitir que se marque consultas médicas e se faça matrícula na rede de ensino pela web, além de diminuir as filas, possibilitaria à cidade um maior controle das vagas na saúde e na educação.

"E não precisa ser só pela internet. Pode ser pelo celular também, que está muito mais presente na vida das pessoas do que o computador", diz o presidente do Instituto Congresso de Informática Pública (Conip), Vagner Diniz. "O usuário poderia enviar um torpedo SMS solicitando a consulta e receber de volta o horário."
Na educação, diz a secretária Malde, está quase pronto um sistema para matrículas e acompanhamento do aluno pela internet. Já na saúde, para chegar ao agendamento online, é preciso antes que o sistema informatizado esteja mais maduro. Hoje, os agendamentos são feitos presencialmente, e o usuário não consegue saber na hora quando terá uma vaga. "Quando isso estiver resolvido, aí será possível o agendamento pela web."
Outra prioridade defendida por especialistas é a simplificação e digitalização do processo de abertura de empresas. "É preciso uma articulação entre os poderes municipal, estadual e federal", diz Diniz, do Conip. Hoje, já se pode, em alguns bairros da cidade, obter a autorização para funcionamento (alvará) pela internet. Marisa Crovador,de 46 anos, dona de uma escola de inglês na Mooca, esperou dez anos e só conseguiu agora, pela web. "Corria o risco de ser fechada."
Outro ponto necessário é tornar os serviços mais fáceis de usar, afirma o coordenador do movimento Nossa São Paulo Maurício Bronizi. "É preciso melhorar profundamente o site. Há serviços que demandam o acesso de seis, sete páginas para serem encontrados."

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