Até o ano de 2015 - ou seja, daqui a duas gestões da Prefeitura e a uma Copa do Mundo em solo brasileiro de distância -, os 68 mil metros quadrados do Pavilhão de Exposições do Anhembi já estão totalmente reservados para centenas e mais centenas de eventos. De showroom de carros a aparelhos para dentistas, passando por encontros de líderes europeus a feira de cachorrinhos, esse dado serve como parâmetro para dar a São Paulo o título de capital latino-americana dos negócios, concedido pela Internacional Congress & Convention Association (ICCA, na sigla em português).

São quase 90 mil eventos por ano, um a cada seis minutos, o equivalente a 75% de todo o mercado brasileiro.

Se por um lado essa batelada de números enche os cofres públicos (no ano passado, foram pelo menos R$ 2,9 bilhões de faturamento), há também o outro lado da moeda - não há mais espaço para atender à demanda. Eventos de médio porte, que não encontram mais teto em São Paulo, começam a mudar para Munique, Buenos Aires, Vancouver e Rio. Para não perder mais mercado, o complexo do Anhembi apresenta a partir desta semana uma série de reformas e melhorias para aumentar sua capacidade. Ao custo de R$ 28 milhões, os pavilhões foram renovados, modernizados e ganharam uma nova cobertura térmica para evitar que as pessoas morram de calor. O estacionamento foi informatizado e agora conta com 67 câmeras eletrônicas de segurança. Dois mezaninos também estão sendo destruídos para dar ao Anhembi mais 6 mil metros quadrados de área.

As melhorias já poderão ser sentidas pelos visitantes do Bienal Internacional do Livro, que acontece entre esta quinta-feira e o dia 24. São os primeiros passos para garantir que São Paulo continue ostentando o seu título de maior mercado de negócios da América Latina. No ano que vem, um novo pavilhão deverá ser construído ao lado do próprio Anhembi - serão R$ 80 milhões para criar 40 mil metros quadrados de área de exposições. E a Companhia City já entregou o projeto para criar um complexo no limite dos distritos de Pirituba e Jaraguá, na zona norte. O terreno tem 4,9 milhões de metros quadrados e foi decretado de utilidade pública para desapropriação. O objetivo é criar por meio de Parceria Público-Privada um centro de convenções e uma arena multiuso para 40 mil pessoas, com área total de 1,8 milhão de metros quadrados.

"Essa primeira reforma serve para atualizar a infra-estrutura e utilizar melhor o Palácio de Convenções e o Auditório Elis Regina", diz o presidente da São Paulo Turismo (SPTuris), Caio Luiz de Carvalho. "O Pavilhão de Exposições está saturado até 2015. O Palácio de Convenções teve 50% de ocupação em 2005, queremos agora ter de 80% a 90%. O Salão do Automóvel, no fim do ano, já terá os 6 mil metros quadrados a mais de área, além da cobertura nova e da climatização do ambiente. Mas, de fato, é preciso pensar mais amplo para continuar na ponta. Precisamos pensar em 2020, 2030. Para isso, precisamos de novos espaços, como a ampliação do Anhembi e a construção de um novo centro."

Falta de datas

A SPTuris sofre atualmente para encaixar os eventos no calendário da cidade. Para o ano que vem, o empresário húngaro naturalizado brasileiro Tamas Rohonyi, principal responsável por São Paulo ser sede de um Grande Prêmio de Fórmula 1 desde 1990, quer organizar uma corrida da Fórmula 1 clássica, só com carros antigos e pilotos consagrados. Já Emerson Fittipaldi quer organizar por aqui uma etapa da A1 GP, categoria do automobilismo internacional em que cada país tem a sua própria equipe, como se fosse uma Copa do Mundo de carros. Em ambos os casos, no entanto, as datas ainda não foram fechadas por excesso de demanda.

"O que falta em São Paulo são lugares mais versáteis para abrigar todos os eventos que querem vir para cá", disse Tamas Rohonyi. A Prefeitura calcula que cerca de 11 milhões de pessoas passam todos os anos pelo Anhembi. Os visitantes de negócios representam quase 50% do montante de 10 milhões de turistas que chegam à cidade anualmente.

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