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Sarney oficializa candidatura para Senado e confirma hegemonia do PMDB

BRASÍLIA - O PMDB deu ontem o primeiro passo para tornar-se hegemônico no comando do Poder Legislativo, ao oficializar a candidatura do senador José Sarney (AP) a presidente do Senado. Foi um golpe para o PT, que esperava ser compensado com o cargo, uma vez que deixará de presidir a Câmara dos Deputados.

Valor Online |

Mas a decisão foi bem recebida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que havia se comprometido a apoiar o petista Tião Viana (AC) desde que Sarney não fosse candidato. A hegemonia parlamentar pemedebista só é ameaçada por uma reação surgida entre partidos da base aliada do governo, cuja dimensão o PMDB ainda não conseguiu avaliar inteiramente.

Tão logo foi confirmado pela bancada do PMDB, Sarney defendeu a legitimidade da decisão: " O PMDB já é forte. Temos a maior bancada do Senado e a maior bancada na Câmara. Isso não é uma decisão do partido, mas o princípio da proporcionalidade " . Sarney refere-se ao preceito segundo o qual a maior bancada partidária indica o presidente da Casa, a bancada seguinte o segundo-vice e assim por diante - essa ordem pode ser mudada quando há acordo entre os líderes para a eleição.

Sarney também fechou ontem o apoio do PSDB, que apresentou uma lista de exigências, entre elas, a de que o candidato se comprometa a não dar curso a qualquer iniciativa que permita um terceiro mandato para o atual presidente da República. Partidos que antes haviam anunciado apoio a Tião Viana também se juntaram a Sarney, como o PSB, o PR e o PCdoB.

Ex-presidente da República (1985-1990), Sarney está em seu quinto mandato de senador e já presidiu o Senado por duas vezes. Ele foi indicado por ser o único nome capaz de unificar a bancada do PMDB, atrair o apoio de Lula e conter a reação do PT pelo fato de um único partido presidir as duas Casas do Congresso. Ainda assim, nas últimas 24 horas, aumentou a reação de partidos da base aliada à candidatura do deputado Michel Temer (PMDB-SP) a presidente da Câmara.

O PT insiste em dizer que manterá o acordo pelo qual se comprometeu a apoiar Temer em troca do apoio que teve para presidir a Câmara no biênio 2007-2009. Mas as articulações contrárias à entrega das duas Casas ao PMDB é aberta em outros partidos como o PSB - o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que também preside a legenda, passou a terça-feira em Brasília em campanha em favor do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP).

Além de Aldo, dois outros deputados estão na disputa: Ciro Nogueira (PP-PI) e Osmar Serraglio (PMDB-PR). Nas contas de Campos e dos líderes do PSB no Senado, Renato Casagrande (ES), e na Câmara, Rodrigo Rollemberg (DF), o segundo turno está assegurado - Aldo já teria assegurado cerca de 120 votos e Ciro, 140. Os cálculos mais otimistas avaliam que Serraglio pode chegar a 20 votos. A realização de eventual segundo turno será uma derrota para os líderes partidários - 14 deles, representando 428 deputados, assinaram manifesto de apoio a Temer.

Temer e os 14 líderes oficializaram ontem a criação do " blocão " de 14 partidos que apóiam sua candidatura. Com isso, o deputado esperava caracterizar sua candidatura não como uma candidatura do PMDB, mas " institucional " , um nome da Casa. Mas um outro movimento subterrâneo passou a conspirar contra a chapa pemedebista: a proliferação de candidaturas aos demais cargos da Mesa Diretora.

Os partidos do " blocão " indicaram oficialmente nomes para esses cargos, mas surgiram várias dissidências com o lançamento de nomes avulsos. Por exemplo: o PTB indicou o deputado Nelson Marquezelli para ocupar a quarta secretaria, na chapa de Michel Temer, mas a deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA) e o deputado Augusto Farias (PTB-AL) também se lançaram para a mesma vaga: a divisão joga contra o deputado do PMDB. Há disputa interna praticamente para todos os cargos.

(Raymundo Costa e Cristiane Agostine | Valor Econômico)

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