Caracas, 24 out (EFE) - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, chamou hoje de camarada o chefe de Estado francês, Nicolas Sarkozy, depois que este afirmou que a atual crise financeira internacional representou a morte da ditadura do mercado. Que frase para a história. Camarada Sarkozy, caramba, me surpreendeu, acrescentou o presidente venezuelano em um discurso exibido pela televisão, na inauguração de um projeto elétrico.

Após reiterar que a crise "não afetou um fio" de seu país, pois seu Governo, ressaltou, conseguiu se "desatrelar" do capitalismo, Chávez leu a declaração de Sarkozy a um grupo de empresários.

"Haverá uma revolução em escala planetária" se fracassar a "refundação do sistema capitalista", disse Sarkozy, segundo a frase lida por Chávez, que ressaltou que "é impossível voltar a fundar" um sistema que, como o capitalismo, já "descansa em paz".

"Tem que ser uma coisa nova e nós a chamamos, sem dúvidas, de socialismo, mas é para discutí-lo", acrescentou o chefe de Estado da Venezuela, que atribuiu ao presidente dos Estados Unidos, George W.

Bush, ter defendido um "capitalismo democrático".

Chávez insistiu em que aprovava que Sarkozy "estivesse se aproximando do socialismo", apesar de ter admitido que o líder francês é um homem de pensamento capitalista.

Além disso, criticou o fato de a cúpula convocada por Bush para analisar a crise reunir poucos países.

"Falta nos falarmos, os (países) do norte e os do sul", mas foi convocada uma cúpula restrita, em 14 e 15 de novembro em Washington, "como se nós não tivéssemos nada a dizer", ressaltou.

Em um momento no qual na América Latina vários países estão "desenvolvendo a democracia geral, a democracia plena, que é um dos símbolos do socialismo, do novo socialismo do século XXI", a candidata republicana à Vice-Presidência dos Estados Unidos, Sarah Palin, o chamou de ditador, lembrou.

A governadora do Alasca e vice do republicano John McCain disse recentemente que, "através das negociações e das sanções, se fosse necessário", queria "pressionar ditadores como Hugo Chávez para que vejam que não poderão se colocar com os Estados Unidos da forma na qual eles querem".

"Pobrezinha. O que ela dá é pena", disse Chávez e ressaltou que "seja quem for o vencedor" das eleições americanas de 4 de novembro, está disposto a conversar com o sucessor de Bush. EFE ar/db

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