Estrasburgo (França), 21 out (EFE) - O presidente francês, Nicolas Sarkozy, pediu hoje que a União Européia (UE) inicie um plano de ajuda à indústria automobilística similar ao adotado nos Estados Unidos, para não deixar os fabricantes europeus em situação de desvantagem.

"A crise financeira nos leva a uma crise econômica", disse Sarkozy em discurso no Parlamento Europeu (PE), onde insistiu em que, como fizeram diante das turbulências, os 27 países-membros do bloco devem responder de forma unida à desaceleração.

O presidente francês destacou que a Europa "precisa de uma indústria sólida" e afirmou que os Estados-membros devem criar fundos soberanos, e que estes devem agir de forma coordenada para apoiar o setor industrial.

Sarkozy, que preside este semestre a UE, também considerou que a zona do euro "não pode seguir em frente sem um Governo econômico claramente identificado".

Ele também deixou claro que "o verdadeiro Governo econômico da área é um Eurogrupo que reúna os chefes de Estado e de Governo" e destacou que, em uma crise como a atual, restringir esses encontros aos ministros de Finanças "não está à altura".

Aos eurodeputados, o presidente francês ressaltou que o bloco já está "totalmente" imerso na crise econômica, pediu apoio direto à indústria e disse que, neste âmbito, a Europa deve agir em conjunto.

O presidente francês analisou o plano elaborado pelas autoridades americanas para ajudar o setor automobilístico - Washington aprovará empréstimos no valor de US$ 25 bilhões a juros baixos à General Motors, Ford e Chrysler- sugeriu fazer isso "na Europa".

Além disso, advertiu de que se não for criado um mecanismo de apoio, a indústria automobilística européia pode ficar em uma situação de concorrência delicada, principalmente levando em conta que o bloco está "pedindo às fabricantes que produzam carros mais limpos", no marco da luta contra a mudança climática.

Sarkozy lembrou que não se trata de questionar o mercado único, os princípios da livre concorrência nem a legislação sobre ajudas de Estado, mas afirmou que a UE "não pode ser ingênua frente à concorrência das outras grandes economias".

A Europa "precisa de uma indústria sólida" para continuar construindo navios, aviões e carros, afirmou o presidente francês.

Ele também alertou para o risco de que sociedades européias sejam adquiridas "a preço de liquidação" por entidades estrangeiras, aproveitando a crise e sua baixa cotação em bolsa.

Neste ponto, pediu que os Estados-membros reflitam sobre a necessidade de criar fundos soberanos -controlados pelos Estados e que têm, principalmente, os países com grandes superávit correntes, como China, Rússia e outros os exportadores de matérias-primas.

Estes instrumentos poderiam ser usados, disse Sarkozy, para ajudar o setor industrial no atual contexto de fraqueza econômica.

EFE epn/db

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