O presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciou nesta segunda-feira um plano de ajuda suplementar ao setor automobilístico num montante de 7,8 bilhões de euros, incluindo empréstimos de 3 bilhões de euros a cada um dos construtures PSA Peugeot-Citroën e Renault, sob a condição de manutenção das fábricas na França e, se possível, dos empregos.

A Renault Trucks, filial do grupo sueco Volvo, receberá por sua vez um empréstimo de cerca de 500 milhões de euros.

"Para que os construtores possam se preparar tranquilamente para o futuro, o estado vai conceder a cada um de nossos grandes construtores um empréstimo de 3 bilhões de euros com uma duração de cinco anos", declarou Sarkozy ao final de um encontro com dirigentes do setor automobilístico.

"É um compromisso que saúdo porque vai nos assegurar que uma crise aguda, mas temporária, não destrua uma parte de nossa base industrial e de tecnologia da construção automotiva", afirmou.

Em troca desses empréstimos a taxas preferenciais de 6%, a "Renault e a PSA se comprometeram a não fechar nenhuma de suas fábricas no período de duração do contrato e de fazer tudo para evitar demissões", insistiu o presidente.

O anúncio prevê, também, a duplicação da ajuda aos estabelecimentos de crédito de Renault e PSA, anunciada em dezembro dentro de um plano de retomada da economia, a 2 bilhões de euros. A ajuda aos terceirizados deste setor também foi duplicada a 600 milhões de euros.

O acordo inclui, também, uma convenção que aumenta a indenização do desemprego parcial dos empregados do setor, segundo o texto do acordo.

As montadoras representam aproximadamente 10% do emprego na França.

O grupo PSA congratulou-se com a aprovação do plano de ajuda, aceitando as condições.

"A PSA Peugeot Citroën não fechará fábricas na França (...) Nas circunstâncias atuais, o grupo não colocará em prática planos de demissões no país", indicou o grupo em comunicado.

A PSA acrescentou que lançará "nos próximos dois anos, em cada uma das cinco fábricas de montagem francesas, um ou vários novos modelos de veículos".

"O empréstimo permitirá ao grupo sustentar, em particular, seu programa de desenvolvimento de veículos mais limpos, mais econômicos em energia e acessíveis a seus clientes", assegurou o construtor francês.

As montadoras do país, duramente afetadas pela crise mundial, suprimiram desde o verão milhares de empregos e colocaram fábricas na França em desemprego técnico durante semanas nos últimos meses, para enfrentar a queda nas vendas.

As vendas da Renault caíram 20,9% e as da PSA, 11,2%, em janeiro.

A Associação dos Construtores europeus de Automóveis ACEA prevê uma baixa da produção de carros europeus de 15% em 2009 em relação a 2008 e uma redução de 15 a 20% da mão de obra, ou seja de entre 150 mil e 200 mil empregados, pelo menos.

O plano francês respeita plenamente as regras européias e nada tem de medida protecionista, afirmou o secretário de Estado de Indústria, Luc Chatel, respondendo a uma advertência da União Européia, que ainda deverá dar seu sinal verde.

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