O presidente Nicolas Sarkozy afirmou nesta quinta-feira em Batz-sur-Mer, oeste da França, que não vai assinar o acordo de liberalização mundial do comércio que está sobre a mesa na OMC, a menos que seja modificado. A declaração provocou a imediata reação do Comissário europeu do Comércio, Peter Mandelson

"Não vamos assinar, a menos que seja modificado o acordo que está sobre a mesa,", declarou o chefe de Estado, presidente em exercício da União Européia (UE), num encontro com donos de restaurantes em Batz-sur-Mer.

Em Genebra, Mandelson, que mantém relações notoriamente tensas com Sarkozy, quis esclarecer imediatamente a situação recordando que está encarregado de negociar em nome do conjunto da União Européia.

"Não posso dizer mais nada senão que cabe à Comissão (Européia) negociar aqui na OMC, em nome de todos os Estados membros (da UE), e que continuaremos a fazê-lo dessa forma", respondeu Mandelson ao ser ouvido sobre a declaração de Sarkozy.

No começo de julho, Sarkozy havia acusado Mandelson de estar disposto a sacrificar a produção agrícola "no altar do liberalismo mundial".

Por sua vez, a secretária de Estado francesa de Comércio Exterior, Anne-Marie Idrac assinalou que uma "proporção importante" de Estados europeus está de acordo com a França ao considerar que a UE não conseguiu concessões significativas de seus interlocutores nas negociações na Organização Mundial de Comércio (OMC).

As negociações de Genebra entre os sete grandes atores da OMC entraram numa fase difícil.

Os representantes do comércio de Estados Unidos, União Européia, Índia, Brasil, Japão, Austrália e China discustem sob a coordenação do diretor da OMC, Pascal Lamy, para tentar chegar a um acordo sobre os principais pontos da Rodada de Doha, iniciada há sete anos.

"Ainda não chegamos a um ponto de convergência. Em alguns pontos chaves da negociação, as posições ainda continuam muito distantes umas das outras", reconheceu Pascal Lamy na manhã desta quinta-feira.

O chefe de Estado francês, Nicolas Sarkozy, presidente em exercício da União Européia (UE), havia afirmado no dia 10 de julho que os negociadores da Rodada de Doha não conseguem 'fechar as contas' e criticou o Brasil e a China por isso.

"Somos unânimes na Europa a dizer que, no estado atual das coisas, as contas não fecham, que a Europa fez todos os esforços, que a Europa não pode continuar assim se as outras grandes regiões do mundo não estiverem decididas a avançar", afirmou Sarkozy no Europarlamento, em Estrasburgo.

"O Brasil não fez nenhum esforço para baixar as tarifas alfandegárias na indústria; não há qualquer esforço nos serviços e o que se pode dizer do fechamento do mercado chinês?", acrescentou.

Nicolas Sarkozy vinha lançando há algumas semanas inúmeras críticas ao comissário europeu do Comércio.

Mandelson lamentou os ataques de Sarkozy, dizendo que eles limitam a capacidade da UE de defender seus interesses.

"Quando ouço o que diz o presidente da Comissão européia José Manuel Barroso, quando eu ouço o primeiro-ministro do Canadá, e até a chanceler alemã, Angela Merkel, eles dizem hoje que a conta não está fechada", havia insistido Sarkozy.

Os ministros dos países participantes estão reunidos desde segunda-feira em Genebra para tentar destravar as negociações da rodada de Doha, iniciada no final de 2001 na capital do Qatar, para obter um acordo que reduza as barreiras aduaneiras no mundo.

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