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Sarkozy aceita aliança para destravar acordo comercial

Em mais uma articulação diplomática, França e Brasil tomaram a iniciativa de convocar uma reunião de cúpula do G20 com o objetivo específico de desobstruir as negociações da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). O evento se dará em 3 de abril, em Paris.

Agência Estado |

Desta vez, a intenção do Brasil e da França será mobilizar o restante do G20, grupo que reúne os sete países mais ricos e os principais emergentes, para derrubar a resistência dos Estados Unidos ao novo acordo multilateral de comércio. Há cerca de dez dias, na sede da OMC, em Genebra, os norte-americanos praticamente rasgaram a recomendação do G20 em favor da conclusão dos acordos da Rodada, de novembro passado, ao apresentar novas demandas de abertura na área industrial.

A reunião de Paris se dará, portanto, no dia seguinte ao encontro no qual os líderes do G20 debaterão um novo modelo para o sistema financeiro mundial, em Londres.

O assessor da Presidência da para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, informou ao Estado que esse foi um dos principais acertos da reunião, anteontem, entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Nicolas Sarkozy, da França, e José Manuel Durão Barroso, da Comissão Européia, no Rio.

Fontes do Itamaraty informaram que as diplomacias da França e do Brasil vão trabalhar conjuntamente no início do ano para convencer os demais países do G20 sobre a relevância desse encontro de Paris.

No encontro de anteontem, Sarkozy sugeriu a reunião de cúpula ao lembrar-se de uma antiga proposta de Lula - a de que os líderes deveriam se reunir para dissolver os nós que os ministros já não conseguiam mais desatar nas negociações.

Para o chanceler Celso Amorim, a resistência dos EUA pode ser vencida, mesmo sob o governo democrata - tradicionalmente mais protecionista - de Barack Obama, cujo mandato começa em 20 de janeiro.

Em uma declaração sobre a crise financeira global, divulgada ontem ao final do encontro bilateral entre Sarkozy e Lula, ambos defenderam a necessidade de um acordo equilibrado na OMC, "que favoreça o desenvolvimento dos países mais pobres". Na "análise comum" do Brasil e da França, essa é uma condição essencial para a superação da crise, ao lado da eliminação de distorções do sistema financeiro e da reforma dos mecanismos de governança global, em especial do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Ao defender novamente o ingresso do Brasil em um G8 (grupo das sete maiores economias e a Rússia) ampliado, Sarkozy fez ontem um novo lance diplomático, com clara intenção de melhorar as relações da França com o mundo árabe. Ele sugeriu que o Egito também seja incorporado ao grupo, além dos cinco países em desenvolvimento que acompanharam nos últimos anos os encontros do G8 - África do Sul, Brasil, China, Índia e México.

O governo brasileiro indicou que aprovaria a idéia. Afinal, o Brasil tem sido o principal beneficiário da defesa, feita pela França, do reforço do multilateralismo nos foros internacionais, como reconheceu ontem o presidente Lula. Nesse contexto, está também o apoio francês à inclusão do País no Conselho de Segurança da ONU, como membro permanente.

Apesar de seu entusiasmo com a parceria Brasil-França nos foros internacionais, Lula teve ontem de reforçar a prioridade do Mercosul em sua política externa ao ser confrontado com a opinião de uma parcela do empresariado brasileiro, que sugere a redução do grau de integração do bloco como meio de garantir autonomia ao País em negociações comerciais. Lula rebateu que essa visão tem "uma boa carga do preconceito" que foi derrotado na relação entre o Brasil e os países da América Latina.

Defendeu ainda que o Brasil, assim como as grandes economias do mundo, tem a "obrigação política, econômica, moral e ética" de cooperar com o desenvolvimento dos países menores. "Se queremos construir um mundo de paz, temos de olhar primeiro para dentro da nossa casa. O Mercosul é a nossa casa e, portanto, vamos cuidar dele com carinho", arrematou.

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