A Symetrix Corporation, empresa americana que tem entre os sócios um brasileiro, anunciou ontem uma joint venture com o grupo Encalso-Damha, da área de engenharia, para construção de uma fábrica de semicondutores em São Carlos (SP).

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A unidade, que terá investimentos de US$ 150 milhões, vai produzir chips de tecnologia ferroelétrica, que podem ser usados em cartões de crédito, bilhetes para transporte público e sensores de infravermelho para a indústria automobilística.

Segundo Ricardo Castelo Branco, diretor-comercial da joint venture, a fábrica começa a ser construída em 2009. A escolha de São Carlos decorreu de incentivos fiscais dados pelo governo paulista e pelo fato de a cidade ser um pólo de pesquisas em tecnologia.

"O fator preponderante para a escolha foi a capacidade da região de dar suporte para o desenvolvimento dessa indústria, que fica obsoleta rapidamente e necessita de constante atualização", disse. O projeto terá suporte científico da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

No início do ano, a Symetrix Corporation chegou a assinar um protocolo de intenções com o governo do Rio para construir a fábrica de chips em solo fluminense. Castelo Branco afirmou que o Rio terá uma fábrica para produzir os cartões inteligentes, e não os chips que fazem o sistema funcionar.

A expectativa, segundo o executivo, é chegar a um faturamento de US$ 100 milhões nos primeiros dois anos de operação da fábrica. O foco será o suprir a demanda interna. O mercado mundial de semicondutores movimenta US$ 300 bilhões anualmente, e o Brasil representa entre 1% e 2% desse total. Em 2007, o País importou US$ 3,45 bilhões em chips.

O Brasil chegou a ter uma indústria de chips bem desenvolvida na década de 1980. Mas a abertura às importações na década seguinte praticamente sepultou o setor no País.

De acordo com Ivair Rodrigues, diretor da consultoria IT Data, o Brasil deve atrair investimentos de nicho nesse campo, caso da fábrica anunciada ontem. "O Brasil já perdeu o bonde da história dos semicondutores e dificilmente vai atrair gigantes do setor, que preferem produzir na China. Mas ainda podemos apostar nos nichos." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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