Hospitais de São Paulo que tratam pacientes com câncer estão atualmente participando de pesquisas sobre, pelo menos, 23 novas medicações contra tumores malignos. O maior número de ensaios clínicos está concentrado no Instituto Estadual do Câncer Octavio Frias de Oliveira, onde são conduzidas 19 pesquisas sobre drogas ainda inéditas, para diferentes tipos de câncer.

"Nossa atuação é em três vertentes", afirma o oncologista Paulo Hoff, diretor clínico do instituto. "Estamos focados em achar alternativas à quimioterapia tradicional, aprimorar tratamentos já existentes e também melhorar a qualidade de vida do doente, diminuindo a incidência de efeitos colaterais."

A equipe de pesquisadores do instituto, formada por 15 especialistas, está monitorando cem pacientes para avaliar o êxito dos novos medicamentos. "Eles são selecionados, especialmente, quando o tratamento clássico não faz mais efeito", diz a coordenadora da área Dálete Mota. "A maioria dos nossos estudos é voltada ao câncer de mama, mas as principais neoplasias estão contempladas", completa Roberto Arai, gerente de projetos.

Patrocinados por multinacionais farmacêuticas, cada um dos estudos tem custo mínimo estimado em US$ 500 milhões. O tempo médio para o produto sair do laboratório e chegar ao mercado é de pelo menos dez anos, respeitando as três etapas necessárias de avaliação científica. São feitos ensaios clínicos com animais, depois testes em humanos. Após testar os efeitos da nova medicação, ainda é avaliada sua eficácia e comparada aos já existentes.

A idéia de aumentar o leque de opções de novas medicações também é seguida pelo Hospital Oswaldo Cruz. Em parceira com o Instituto Ludwig, entidade internacional que atua há 30 anos na criação de terapias contra o câncer, está sendo testado um novo princípio contra câncer em ovários.

"A maior abertura dos hospitais brasileiros à pesquisa vai permitir, no futuro, oferecer tratamentos mais efetivos", avalia a pesquisadora do Ludwig, Ana Maria Camargo.

Submetidos a avaliações periódicas, os pacientes-colaboradores das pesquisas são atraídos pela expectativa de maior sobrevida. Tanto é que os dois processos científicos abertos no Hospital Albert Einstein para estudos de remédios contra câncer de mama e rim tiveram adesão total. "Para o paciente, é muito positivo. É uma pena que o Brasil ainda esteja tão atrasado na produção de terapêuticos", lamenta o oncologista do Einstein Sérgio Simon ao citar que, enquanto no País uma pesquisa de remédio demora oito meses para ser aprovada, nos Estados Unidos o tempo é de apenas um mês.

Para reverter a tendência ainda modesta de pesquisas nacionais, a aposta do Hospital Sírio-Libanês é tentar transformar plantas da Amazônia em componentes químicos oncológicos. Ainda em fase embrionária, o estudo avaliou 2,2 mil espécies e encontrou 120 extratos que apresentaram efetividade antitumoral.

"O próximo passo é testar as substâncias em animais", explica o coordenador do Sírio, Riad Younes. "Temos hoje uma variedade de medicações, mas é obrigação da ciência encontrar soluções para todos os problemas do câncer que ainda estão sem respostas e prejudicam a população."

Além dos testes clínicos, as instituições participam de outras etapas, como a avaliação de efeitos colaterais.

Somente neste ano, o Brasil deve ter cerca de 466 mil novos casos de câncer, sendo aproximadamente 134 mil em São Paulo, segundo projeções do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Entre os tipos mais comuns estão o de próstata, o de mama e o de pulmão.

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