SÃO PAULO - O grupo São Martinho, de Pradópolis (SP), terminou o terceiro trimestre da safra 2008/09 (encerrado em dezembro) com receita líquida de R$ 220,8 milhões, um aumento de 73,5% sobre o mesmo período do ciclo 2007/08. Mesmo com receita maior, a empresa registrou prejuízo líquido de R$ 36,361 milhões no período, forte alta de 529% sobre a perda de R$ 5,7 milhões apresentada no terceiro trimestre da safra 2007/08.

O melhor desempenho nas vendas no terceiro trimestre reflete o maior volume de açúcar e álcool negociados no período e também a alta dos preços médios desses produtos sobre o mesmo período da safra anterior.

Neste período, o grupo elevou fortemente suas despesas financeiras, de R$ 1,3 milhão no terceiro trimestre de 2007/08 para R$ 90,8 milhões agora. Esse aumento foi atribuído ao impacto da variação cambial, de R$ 67,8 milhões, proveniente de captações em moeda estrangeira - que serão compensadas com as exportações - e pelas despesas de R$ 32,6 milhões com juros da dívida.

No acumulado dos nove meses da safra 2008/09, a receita líquida da companhia atingiu R$ 507,1 milhões, alta de 5,5% sobre igual período da safra passada. O prejuízo líquido acumulado no mesmo período alcançou R$ 105,019, alta de 112% sobre igual período do ano anterior.

Com três usinas em operação, o grupo São Martinho tem capacidade de moagem de 12,7 milhões de toneladas de cana por safra. No ciclo 2008/09, as usinas processaram 12 milhões de toneladas, volume 17,4% maior que o do ciclo 2007/08. O mix de produção foi mais alcooleiro, com 67% do total da cana moída para o etanol e 33% para o açúcar.

Os estoques de produtos industrializados da companhia somam 276 mil toneladas de açúcar e 260 milhões de litros de álcool. Considerando os preços na primeira semana de fevereiro de 2009, o valor dos estoques do grupo soma aproximadamente R$ 400 milhões, informou a empresa. Até o fim de março, o grupo pretende manter os investimentos de R$ 60 milhões na compra de equipamentos industriais, agrícolas e plantio de cana na usina Boa Vista, inaugurada em 2008 em Goiás.

(Mônica Scaramuzzo | Valor Econômico)

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