SÃO PAULO - O laboratório Sanofi-Aventis começa a realizar amanhã em todo o país o reembolso nas farmácias dos pacientes que tiverem sido recomendados por médicos a pararem seu tratamento com o medicamento contra obesidade Acomplia, que teve sua venda suspensa temporariamente. A agência reguladora européia (Emea) sugeriu a retirada do medicamento nos países da União Européia, e o laboratório decidiu fazê-lo no mundo inteiro, inclusive no Brasil. A Emea chegou à conclusão de que os benefícios não superam os riscos de uso do medicamento, indicando que alguns pacientes tiveram o dobro de risco de desenvolvimento de problemas psiquiátricos, como ansiedade e depressão, informou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em nota divulgada na sexta-feira.

A Anvisa recomendou que os pacientes procurem seus médicos para pedir orientação sobre o medicamento e pediu para que os médicos parem de receitá-lo.

Aprovado pela Anvisa em abril de 2007 e lançado apenas em maio de 2008, depois que a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed) fixou seu preço, o Acomplia, cujo princípio ativo é o Rimonabant, foi considerado por analistas como um medicamento revolucionário, capaz de conter a epidemia de obesidade - chegou a ser estudado como um medicamento antifumo. No Brasil, a Sanofi calcula que 30 mil pacientes usem o medicamento - 700 mil pessoas em todo o mundo.

A Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag) recomendou também todas as farmácias de manipulação do país a suspenderem a prescrição de formulações que incluam o princípio ativo Rimonabant.

(André Vieira | Valor Econômico)

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