Países de todo o mundo estão em estado de alerta diante da possibilidade de novas bolhas, como a de Dubai, explodirem a qualquer momento. O próximo da lista, na avaliação de economistas, pode ser a Grécia ou até mesmo a Espanha.

Nações do Leste Europeu, da Ásia e da Oceania também mantêm a cautela diante do risco causado pelos gigantescos déficits e da consequente possibilidade de não terem condições de pagar suas dívidas.

Um dia depois de a agência Fitch ter reduzido a nota da Grécia de A- para BBB+, a Espanha pode seguir pelo mesmo caminho. A Standard&Poors (S&P) ameaçou baixar a nota espanhola pela segunda vez este ano - em janeiro, caiu de AAA para AA+. O prognóstico para a economia foi reduzido de "estável" para "negativo" pela S&P. Em nota, a agência afirma que o país "vive uma persistente deterioração de seu orçamento" e deve enfrentar um período mais longo com a economia mais frágil do que o previsto no início deste ano.

O Ministério da Economia e da Fazenda afirmaram que discordam da decisão da S&P e que "não há motivos para preocupação". O diário El País preferiu atacar a credibilidade da agência americana, ao afirmar que a empresa foi incapaz de prever os problemas que originaram a crise americana no ano passado.

A Grécia levou mais a sério a redução na nota anunciada pela Fitch. Com a Bolsa de Valores de Atenas em queda de 6%, o primeiro-ministro George Papandreou disse que fará "o que for preciso para controlar o déficit". Segundo Papandreou, "necessitamos superar essa crise de credibilidade para sobreviver". O déficit grego deve alcançar 12,7% do PIB, mais do que o dobro do previsto.

O governo da França e da Alemanha pressionam o governo grego a apresentar um plano para reduzir o déficit e evitar a contaminação para outros países do bloco, como a própria Espanha e Portugal. Diante da pressão, o ministro das Finanças grego, George Papaconstantinou, tentou desfazer as comparações com outros países. "Nós não somos a Islândia, nem Dubai", afirmou.

O exemplo a ser seguido, de acordo com a Fitch, é o da Irlanda. "Os irlandeses continuam lidando com a situação de forma agressiva", disse o diretor da agência de risco, Paul Rawkins. O governo irlandês anunciou ontem um plano para reduzir os gastos governamentais e restaurar a confiança dos investidores (ler ao lado).

Em Dubai, os efeitos da reestruturação da dívidas da Dubai World ainda não foram superados. A Bolsa de Valores despencou 6,4% e puxou também a do vizinho Abu Dhabi, mais conservador e sem problemas nas finanças, que caiu 2,4%. Em análise divulgada ontem, a S&P afirmou que "os eventos em Dubai ainda merecem a nossa atenção".

No Leste Europeu, as atenções continuam voltadas para a Letônia. A economia do país báltico diminuiu 19% no terceiro trimestre. Anteontem, até mesmo os EUA e o Reino Unido foram ameaçados de terem suas notas reduzidas pela agência de risco Moodys. Atualmente, os dois países têm o triplo A, que é a nota máxima.

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