RIO - O país fechou o segundo trimestre com necessidade de financiamento de R$ 14,270 bilhões, pelos dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado foi a segunda maior necessidade de financiamento para um segundo trimestre desde os R$ 15,964 bilhões observados em 2001.

Cláudia Dionísio, técnica da Coordenação de Contas Nacionais do IBGE, o quadro observado no segundo trimestre - que reverte uma capacidade de financiamento de R$ 632 milhões no segundo trimestre do ano passado - foi decorrente, principalmente, da redução do saldo externo de bens e serviços e da alta da renda líquida de propriedade enviada ao resto do mundo.

Entre abril e junho, o saldo externo de bens e serviços foi de R$ 2,3 bilhões, uma redução de R$ 10,1 bilhões frente aos R$ 12,4 bilhões observados no segundo trimestre do ano passado. Ao mesmo tempo, a renda líquida de propriedade enviada ao resto do mundo subiu R$ 4,3 bilhões, passando de R$ 14,3 bilhões para R$ 18,6 bilhões na mesma comparação de tempo.

A grande vilã do crescimento da renda líquida enviada ao exterior foi a remessa líquida de lucros e dividendos, que avançou R$ 5,6 bilhões e compensou a queda de R$ 1,3 bilhão observada no pagamento líquido de juros, na comparação do segundo trimestre de 2008 com o segundo trimestre do ano passado.

A reversão do quadro para uma necessidade de financiamento no segundo trimestre foi a primeira para o período de abril a junho desde o segundo trimestre de 2003, quando houve necessidade de financiamento de R$ 1,089 bilhão. Desde então, o país havia fechado segundo trimestres sempre com capacidade de financiamento, tendo atingido o ápice no intervalo de abril-junho de 2004, quando houve capacidade de R$ 4,351 bilhões.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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