Crise internacional volta a afetar mercado brasileiro em junho; ingresso de moeda estrangeira tem queda de 18% entre maio e junho

Após meses de calmaria, a crise internacional voltou a afetar o mercado brasileiro em junho. Fatores como a possibilidade de rebaixamento da Espanha por agências de classificação de risco inverteram o fluxo de dólares para o Brasil e US$ 4,27 bilhões deixaram o País no mês passado, o pior resultado desde dezembro de 2008, ainda no auge da crise.

O resultado é explicado pela dificuldade das empresas em captar recursos no exterior e o aumento da remessa de lucros das multinacionais instaladas no Brasil às sedes. Ao mesmo tempo, brasileiros continuam a gastar dólares, seja em viagens internacionais ou em produtos importados. A maioria dos recursos deixou o Brasil pela chamada conta financeira, onde são registradas operações de entrada e saída de dólares para diversos fins, como remessa de lucros, empréstimos, investimento em ações e no setor produtivo. Por essa via, segundo dados do Banco Central, o mês terminou com a fuga de US$ 3,49 bilhões.

Dessa vez, o agravamento da crise contagiou o Brasil especialmente pelo crédito: o aumento da aversão ao risco dos estrangeiros praticamente interrompeu a oferta de empréstimos em dólar para empresas brasileiras. Sem crédito internacional, o ingresso da moeda estrangeira para o País caiu 18% entre maio e junho.

O mercado de dívida ficou praticamente fechado. Isso fez com que muitas empresas não conseguissem captar recursos, o que reverteu a situação dos meses anteriores, quando companhias conseguiram captar volumes expressivos¿, diz a analista do Banco BBM, Ana Flávia Soares.

Importações

O economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, afirma que o quadro foi agravado com volumes expressivos de remessa de lucros de multinacionais às sedes no exterior. ¿A economia aquecida do Brasil gera ganhos expressivos que são enviados às matrizes que ainda não se recuperaram da crise, explica. O economista destaca que essas transferências ganham força em momentos de crise nas sedes e quando há o fechamento dos balanços no Brasil, exatamente como em junho. Entre os setores que mais enviaram lucros em 2010, bancos, montadoras e metalúrgicas encabeçam a lista.

Além dos efeitos da crise, a saída de dólares também é influenciada pela boa situação do Brasil. Com o aumento da renda, brasileiros viajam cada vez mais para o exterior e reforçam a compra de bens importados. Esse movimento causa reflexos no fluxo cambial obtido com o comércio exterior. Em junho, contratos de câmbio para pagar importações superaram em US$ 788 milhões o ingresso de dólares gerados pelas exportações.


Além dos efeitos da crise, a saída de dólares também é influenciada pela boa situação do Brasil. Com o aumento da renda, brasileiros viajam cada vez mais para o exterior e reforçam a compra de bens importados. Esse movimento causa reflexos no fluxo cambial obtido com o comércio exterior. Em junho, contratos de câmbio para pagar importações superaram em US$ 788 milhões o ingresso de dólares gerados pelas exportações.

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