Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Saída de capital externo supera volume que entrou em IPOs no ano

A saída de capital externo neste ano supera o volume que entrou de recursos estrangeiros em ofertas de ações. Neste ano, até o dia 6 (último dado disponível), o saldo líquido dos investimentos estrangeiros está negativo em R$ 23,240 bilhões, volume superior ao que entrou de capital externo em Ofertas Públicas Iniciais (IPOs) e ofertas secundárias neste ano, de R$ 19,773 bilhões, de acordo com dados da Bovespa.

Agência Estado |

"A grosso modo, dá para assumir que todo o dinheiro que os estrangeiros investiram em ofertas de ações neste ano e uma parte do ano passado saiu da Bolsa", disse Victor Mizusaki, analista da Itaú Corretora.

Essa forte saída de capitais, explicou, está associada à aversão ao risco dos investidores estrangeiros a mercados emergentes como o Brasil. Desde o pedido de concordata do banco de investimentos americano Lehman Brothers, em meados de setembro, a crise financeira ganhou novo vulto e provocou a saída de recursos da Bolsa brasileira de estrangeiros que precisaram cobrir prejuízos em seus países de origem, ou simplesmente correram para ativos mais seguros, como títulos públicos do Tesouro Americano.

Desde o pico histórico, de 73.516 pontos em 20 de maio, o Ibovespa perdeu metade de seu valor e fechou ontem aos 36.776,27 pontos. A queda acumulada desde setembro remonta a 34%.

Mizusaki acredita que a liquidação de posições de estrangeiros em setembro e outubro garantiu a manutenção de forte giro financeiro na Bovespa. Naqueles dois meses, o giro médio diário foi robusto e ficou acima dos R$ 5 bilhões. "Agora que a maior parte dos recursos já saiu, a tendência é que o giro se estabilize em um patamar menor, entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões, voltando aos níveis de 2007", disse.

A crise, comentou um gestor, frustrou a expectativa de crescimento da Bolsa após a concessão da primeira nota de grau de investimento, no final de abril. No mês seguinte, em maio, a média diária chegou a R$ 7,035 bilhões e foi comemorada como um novo patamar para a Bovespa. "Infelizmente, teremos que esperar o pior momento passar para ver a volta dos estrangeiros e o crescimento da Bolsa", disse.

Há instantes, o giro apontava para R$ 2,99 bilhões até o final da jornada, um dos menores do ano e bem inferior à media diária do ano, de R$ 5,599 bilhões. Um gestor diz que o giro só voltará a crescer quando as medidas anunciadas nos Estados Unidos e Europa começarem a surtir efeito. "Quando o mercado recuperar a confiança, os estrangeiros devem voltar ao pregão", afirmou.

A saída de capital externo e o encolhimento do giro devem se refletir nos resultados da BM&FBovespa nos próximos trimestres, acredita Mizusaki. Hoje, após o fechamento do pregão, a instituição apresenta seus resultados ao mercado. Para o analista, a receita da BM&FBovespa no terceiro trimestre será 12% maior que o combinado de Bovespa Holding e BM&F em igual período do ano passado. O lucro líquido deve apresentar crescimento de 11% na mesma base de comparação e atingir R$ 273 milhões.

"O cenário de curto prazo para as ações da Bolsa é muito incerto. Ainda assim, o papel é um bom investimento de longo prazo, porque está sendo negociado com desconto de 40% em relação às outras bolsas do mundo", afirmou.

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG