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Sadia admite aplicação em derivativos de crédito e títulos do Lehman

SÃO PAULO - Os R$ 760 milhões perdidos pela Sadia com operações no mercado financeiro não envolvem apenas aplicações de contratos futuros e opções de câmbio, mas também derivativos de crédito sofisticados, como first to default e credit default swaps. Entre os contratos que integravam a carteira da Sadia no exterior estavam títulos atrelados a dívidas de diversas instituições, como do banco americano Lehman Brothers, que entrou em concordata.

Valor Online |

Nessas operações de derivativos de crédito, a empresa assume o risco de inadimplência ou de uma ou mais instituições. Quando elas quebram ou deixam de pagar suas dívidas, os contratos precisam ser liquidados. A informação surgiu nesta sexta-feira durante teleconferência entre executivos da empresa e analistas de mercado.

Apesar da revelação, o diretor de Relações com Investidores da Sadia, Welson Teixeira Júnior, não soube detalhar os volumes financeiros que estavam alocados em cada contrato e nem descrever especificamente os instrumentos que causaram a perda, o que desagradou os analistas, que cobraram maior transparência da empresa.

De seu lado, o executivo garantiu que os dados estão sendo levantados por meio de uma auditoria interna e que todas as informações serão repassadas ao mercado assim que identificadas. Teixeira foi um pouco mais a fundo apenas no caso Lehman Brothers. Segundo ele, a Sadia detém títulos do banco no valor de US$ 12 milhões, marcados a mercado a 15% do seu valor.

Para estabilizar o caixa, de onde saíram os R$ 760 milhões utilizados para cobrir as perdas, Teixeira informou que a Sadia levantou R$ 1,6 bilhão em Adiantamentos de Contratos de Câmbio (ACC).

O executivo não informou as condições da operação, disse apenas que as taxas foram "competitivas". No entanto, fez questão de salientar que a empresa buscará reestruturar essa dívida em breve, podendo utilizar recursos que tem a receber de linhas do BNDES.

Com o tombo, a dívida da Sadia passará a valer três vezes o valor de sua geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes de impostos, juros, amortizações e depreciações), acima do teto recomendado pelo conselho da companhia, de duas vezes. Ao final do segundo trimestre deste ano, a relação estava em 1,8 vez.

Mais endividada, a Sadia poderá revisar seu plano de investimentos para 2009, que ainda não foi divulgado. Teixeira afirmou que não deve haver mudanças significativas, mas admitiu a necessidade de considerar de uma reavaliação. "Obviamente terá revisão, mas a expectativa é manter os investimentos mais relevantes", afirmou.

Apesar do tamanho da perda, por diversas vezes o diretor chamou a atenção para o porte das exportações anuais da Sadia, na casa dos US$ 3,5 bilhões.

Também ressaltou o bom momento vivido pelo setor, que tem expectativa de queda para os preços dos grãos, com conseqüente redução de custos e aumento de margens. "Damos continuidade ao entendimento de que teremos crescimento de dois dígitos em 2009", completou.

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