SÃO PAULO - A companhia aérea irlandesa Ryanair, a maior empresa européia de baixo custo, afirmou que teria interesse em adquirir o controle do aeroporto de Stansted, em Londres, caso a Comissão de Competição do Reino Unido recomende que o monopólio da British Airports Administration (BAA) seja quebrado. A administradora de aeroportos é constantemente criticada pela empresa aérea, que a acusa de agir contra o interesse dos consumidores.

Em entrevista ao jornal britânico The Daily Telegraph, o executivo-chefe da Ryanair, Michael O'Leary, afirmou que sua companhia poderia lançar uma oferta de 2 bilhões de libras pelo controle de Stansted. A empresa é uma das maiores operadoras presentes nesse terminal londrino.

No ano passado, a Comissão de Competição britânica iniciou uma investigação sobre o mercado de aeroportos e a atuação da BAA. Em abril deste ano, um relatório preliminar afirmava que o controle da administradora pode não estar servindo aos interesses tanto das companhias aéreas como dos passageiros. Atualmente, a BAA administra os aeroportos de Heathrow, Gatwick e Stansted em Londres, o de Southampton no interior da Inglaterra e os de Edimburgo, Glasgow e Aberdeen, na Escócia. A comissão ainda afirmou que o controle de três dos quatro aeroportos londrinos provavelmente evita, restringe e/ou distorce a competição nessa região.

O relatório final, com as recomendações, ainda não foi divulgado pela Comissão. A expectativa é que a BAA tome a iniciativa de vender o aeroporto de Gatwick, caso seja obrigada a se desfazer de um dos terminais londrinos. Para O'Leary, da Ryanair, porém, a Comissão deverá recomendar que cada aeroporto de Londres seja administrado por grupos independentes. Para ele, a venda de apenas um dos três não resolveria os problemas de competição na área.

O'Leary afirma que uma vez adquirido o controle de Stansted, a companhia aérea aumentaria o tráfego no terminal dos atuais 24 milhões de passageiros para mais de 40 milhões apenas cortando as taxas aeroportuárias pela metade. Além disso, seria construída uma segunda pista de pouso, ao custo de 150 milhões de libras, além de um novo terminal, por outros 250 milhões de libras.

Segundo O'Leary afirmou ao jornal britânico, a compra de Stansted seria uma de suas duas últimas ambições à frente da Ryanair, antes de se aposentar em dois ou três anos. A outra seria a compra da também irlandesa Aer Lingus. Atualmente a companhia já tem 29,8% do capital da concorrente, mas enfrenta a resistência da administração da Aer Lingus e do governo irlandês - também acionista - para completar a aquisição. Eu estava pronto para sair (da empresa) já um ano, porque as coisas estavam começando a ficar chatas, mas agora todo mundo diz que estamos na lama, então definitivamente vou ficar, afirmou.

O interesse da Ryanair em Stansted se explica pela posição que a empresa tem no aeroporto, mas também pelo delicado relacionamento com a BAA. Alegando que as tarifas no aeroporto estavam muito altas, a empresa anunciou cortes de capacidade naquele terminal. Já a administradora confirmou ter movido processo contra a Ryanair, uma vez que a empresa aérea tem retido os valores correspondentes a um aumento nas taxas em vigor desde abril, até que o reajuste seja avaliado pela Justiça.

(José Sergio Osse | Valor Online, com agências internacionais)

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