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SÃO PAULO - A Ryanair, companhia aérea irlandesa, anunciou hoje um prejuízo de 102 milhões de euros no terceiro trimestre fiscal, que vai até 31 de dezembro, resultado pior que os 35 milhões de euros de lucro registrados no mesmo período do ano passado. A empresa de voos de baixo custo afirmou em nota que o preço médio das passagens aéreas caiu 9%, para 34 euros, enquanto os custos com combustível avançaram 71%, para 328 milhões de euros, nos últimos três meses do ano passado, ante 2007.

No período, as receitas da Ryanair aumentaram 6% para 604,5 milhões de euros. De acordo com a nota divulgada hoje, a empresa está ganhando com a crise econômica global, que fez com que os passageiros trocassem as demais companhias pelas de baixo custo.

"O ambiente econômico global se mostra extremamente difícil, com a recessão prejudicando a confiança do consumidor, mas está se provando ser bom para o crescimento da Ryanair, com mais passageiros se direcionando para o modelo de baixo custo da empresa. Muitos de nossos concorrentes tem divulgado fortes quedas no tráfego aéreo, enquanto a Ryanair continua a crescer", afirmou em comunicado, Michael O'Leary, diretor-executivo da companhia.

A empresa mostrou também que espera uma melhora dos resultados para próximo trimestre. Isso porque ela até agora não tinha se beneficiado da queda dos preços do combustível no mercado internacional, devido às operações de proteção (hedge) que realizou, comprando mais combustível para o estoque para evitar os efeitos de um aumento futuro maior nos custos.

"Nossa decisão de não fazer o hedge dos preços do petróleo no quarto trimestre fiscal está relacionado com seu contínuo declínio e nós vamos nos beneficiar dos menores custos com o combustível no próximo trimestre", disse no documento, Michael O ? Leary. Desta maneira, para os resultados acumulados deste ano fiscal a empresa prevê um lucro na faixa de 50 milhões e euros a 80 milhões de euros, após os impostos.

Com relação a 2009, a Ryanair também está otimista. Em nota, ela afirma que acredita que vai conseguir aproveitar bem os baixos custos com combustíveis, inclusive baixando os preços das passagens. Outro fator de ganhos, segundo a companhia, será a permissão do uso dos telefones celulares dentro das aeronaves.

"Nós esperamos que nosso serviço de celulares a bordo se efetive em fevereiro em Dublin. As nossas receitas iniciais podem ser pequenas, mas acreditamos que a possibilidade de comunicação nos vôos será uma importante fonte de receita nos anos futuros", completou o diretor-executivo no comunicado.

(Vanessa Dezem | Valor Online com agências internacionais)