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Rússia processa Ucrânia e Kiev prevê falta de gás na Europa

Sergio Imbert e Boris Klimenko Moscou e Kiev, 3 jan (EFE).- A Rússia anunciou hoje que processará a Ucrânia, acusando-a de roubar o gás que passa por seu território, enquanto Kiev advertiu que seu conflito com Moscou ameaça seriamente o fornecimento à Europa.

EFE |

No terceiro dia da nova "guerra do gás", réplica da que afetou as exportações a países europeus em 2006, a empresa russa Gazprom e a estatal ucraniana Naftogaz prosseguiram seu duelo retórico com apelos à Europa e sem voltar à mesa de negociações.

O presidente da Gazprom, Alexei Miller, afirmou que países como a Hungria, Eslováquia, Romênia, Polônia, os estados bálticos e alguns balcânicos já "registram subtrações ilegais de gás em território da Ucrânia".

Miller anunciou que a Gazprom apresentará uma reivindicação ao Tribunal Internacional de Arbitragem de Estocolmo para que este obrigue a Ucrânia a "garantir o livre trânsito do gás russo para a Europa".

O "número dois" de Miller, Aleksandr Medvedev, empreendeu uma viagem pela Europa para explicar a postura da Gazprom, que acusa a Naftogaz de roubar dos gasodutos a 35 milhões de metros cúbicos por dia do gás destinado à Europa, o que corresponde a mais de um décimo do total.

Antes de partir, Medvedev pediu aos países afetados que entrem com ações legais contra a Naftogaz e "empreguem os instrumentos jurídicos que lhes dá a Carta Energética", ratificada pela Ucrânia, ao contrário da Rússia.

Gazprom suspendeu na quinta-feira, 1º de janeiro, o fornecimento de gás à Ucrânia por não chegar a um acordo com a Naftogaz sobre o preço de seu combustível em 2009 e as tarifas de seu trânsito pelo território ucraniano.

Ao mesmo tempo, aumentou o bombeamento com destino aos países europeus por território bielo-russo e turco em 32 milhões de metros cúbicos diários, para compensar o suposto roubo na Ucrânia.

Em Kiev, a Naftogaz negou que subtraia gás russo para seu consumo e acusou a Gazprom de reduzir as provisões para os países europeus e de submeter à Ucrânia a uma "chantagem energética".

A companhia se mostrou "indignada" pelas acusações da Gazprom, que "desacreditam a Ucrânia aos olhos da Europa", e afirmou que precisou recorrer a suas próprias reservas para compensar o corte do fornecimento russo.

A Presidência ucraniana, por sua parte, advertiu que o corte de gás russo ao país afetará seriamente dentro de duas semanas as provisões à Europa se o conflito comercial não for resolvido em breve.

Gazprom e Naftogaz têm dez dias para chegar a um acordo sobre os contratos para 2009, disse Bogdan Sokolovski, representante do presidente ucraniano, Viktor Yushchenko, para assuntos energéticos.

Segundo ele, a Naftogaz transporta 283 milhões de metros cúbicos de gás russo à Europa diariamente, enquanto usa outros 21 milhões para "necessidades tecnológicas", a fim de manter o funcionamento de seu sistema de gasodutos.

Atualmente, para isso emprega tanto gás russo como ucraniano, mas, se a Rússia não aumentar o bombeamento à Ucrânia, o sistema de gasodutos não conseguirá funcionar em tal "regime extraordinário" por mais "dez, ou, no máximo, 15 dias", segundo a agência "Unian".

"Se a Rússia não enviar mais gás natural do que bombeia à Ucrânia agora, nesse período de até duas semanas podem surgir problemas tecnológicos relacionados à pressão nos encanamentos, que podem causar interrupções das provisões", manifestou.

Sokolovski afirmou que o eventual corte das exportações à Europa via Ucrânia será "responsabilidade da Rússia", e que assim reiterou a delegação ucraniana enviada por Yushchenko a Bruxelas para explicar sua postura à União Européia (UE).

O presidente da Naftogaz, Oleg Dubina, afirmou que está disposto a "viajar em qualquer momento a Moscou" para retomar as negociações, se a Gazprom fizer uma "oferta realista" de preço.

Moscou propôs à Ucrânia elevar o preço do gás de US$ 179,5 por mil metros cúbicos em 2008 para US$ 250 em 2009, sob ameaça de vendê-lo, do contrário, ao "preço de mercado" de US$ 418, e exigiu a manutenção da tarifa de passagem em US$ 1,7 para o transporte de cada mil metros cúbicos a cada 100 quilômetros de distância.

Kiev pedia a manutenção do preço de 2008 e só aceitava seu aumento até US$ 235, e se a tarifa de trânsito subisse a US$ 1,8.

Dubina denunciou que a ameaça russa de vender o gás a US$ 418 significa "uma pressão econômica sem precedentes", pois paralisaria a indústria ucraniana e seu sistema de gasodutos e conduziria ao país a uma "catástrofe ecológica e humanitária".

Através da Ucrânia, passa 80% do gás que a Gazprom vende à Europa, enquanto o resto transita por território bielo-russo.

O gás natural russo representa aproximadamente 25% do consumo total deste combustível na UE e cerca de 40% das importações comunitárias. EFE se-bk/jp

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