A Rússia sinalizou hoje que pode interromper alguns acordos comerciais que concluiu como parte das negociações para aderir à Organização Mundial do Comércio (OMC), afirmou o primeiro-ministro, Vladimir Putin. O vice-primeiro-ministro, Igor Shuvalov, também comentou a possibilidade.

"A Rússia pretende informar vários de seus parceiros na OMC sobre sua retirada de acordos que contradizem seus interesses", afirmou. Os comentários ocorrem em um momento de deterioração das relações entre a Rússia e o Ocidente devido à ação militar russa na vizinha Geórgia.

No fim de semana, a revista alemã Der Spiegel citou o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Carlos Gutierrez, dizendo que o apoio dos EUA à adesão da Rússia a OMC pode estar em risco devido às ações bélicas da Rússia. O vice-premiê russo, Shuvalov, relatou várias objeções aos acordos alcançados até agora, mencionando entre eles o apoio estatal oferecido a algumas empresas norte-americanas.

Segundo Putin, a retirada de alguns acordos não significa interromper todas as negociações. "Isso não significa que iremos renunciar ao nosso movimento estratégico em direção à OMC, mas deve haver alguns esclarecimentos sobre essa questão", declarou Putin.

Benefícios

O premiê reiterou objeções prévias da Rússia para entrar na OMC, afirmando que o processo de adesão está sendo um fardo para a agricultura do país. "O que acontece é que não vemos ou sentimos quaisquer benefícios em nos tornarmos membros da OMC, e se há algum benefício, não é de graça", afirmou Putin. "Precisamos esclarecer as coisas com nossos parceiros comerciais. Precisamos pensar mais seriamente sobre proteger nossos produtores", acrescentou.

A Rússia está tentando entrar na OMC desde 1995, e seu fracasso em se tornar membro a torna a única grande economia fora da OMC, que conta com a participação de 153 países. A arquiinimiga Geórgia já é membro da OMC. As informações são da Dow Jones.

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