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Rússia já não entrega gás a 11 países

Onze países do Centro e do Leste da Europa já não recebem mais nenhum centímetro cúbico de gás natural em razão da crise entre a Rússia, o principal fornecedor do continente, e a Ucrânia, por onde passa 80% do volume do combustível destinado à União Europeia. Ontem, escolas e indústrias suspenderam as atividades na Bulgária, na Eslováquia e na Bósnia, países onde a contagem regressiva para o fim dos estoques já começou.

Agência Estado |

A crise envolve duas companhias, a russa Gazprom e a ucraniana Naftogaz, que divergem sobre uma dívida de US$ 2 bilhões - dos ucranianos para com os russos - e sobre os novos preços do combustível, que até aqui era subsidiado por Moscou. O corte progressivo, determinado na noite de segunda-feira pelo primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, ampliou o problema e tornou o conflito energético o mais sério desde o inverno 2005-2006. A situação se agrava com as baixas temperaturas verificadas há cerca de 10 dias em grande parte da Europa, onde uma massa de ar glacial da Sibéria e da Escandinávia tem derrubado a temperatura a -30°C. Nestas regiões, a calefação por gás é essencial em casas, hospitais e instituições públicas.

Na Bulgária, o país mais prejudicado até aqui, a companhia Bulgargaz informou que seus estoques podem suportar "de alguns dias a um mês", de acordo com a demanda. Em Sófia, no uso de gás para calefação já vem sendo limitado. Nas cidades de Varna, com 300 mil habitantes - a terceira maior do país -, e Razgrad, com 50 mil moradores, houve suspensão das aulas e interrupção de linhas de produção. De acordo com a federação das indústrias do país, as férias coletivas causarão prejuízo estimado em 270 milhões por dia.

Na Bósnia, país que importa 100% do combustível que consome, o início do racionamento levou a siderúrgica Zênica, da ArcelorMittal, a parar as máquinas. Alarmado pelo impasse, o ministro de Relações Exteriores do país, Sven Alkalaj, não escondeu a preocupação: "Há quatro milhões de bósnios em perigo".

Na Hungria, o uso de gás por grandes consumidores também foi limitado.

Na Eslováquia o governo declarou estado de emergência. Croácia, Sérvia, Macedônia, Romênia e Eslovênia também estão na lista dos mais prejudicados, completada pela Grécia e pela República Checa. Turquia e Áustria recebem menos do que o previsto.

Na Europa Ocidental, o corte do envio do gás foi verificado por companhias da Itália, da Alemanha e da França, países menos dependentes do gás russo. Apesar de já trabalharem em planos de compra de gás de outros fornecedores - como Holanda, Noruega e Argélia -, as autoridades públicas têm garantido que o nível dos estoques segue seguro. "Estamos pouco expostos ao problema. Não há risco no que concerne o aprovisionamento de gás na França", assegurou ontem o ministro de Meio Ambiente, Jean-Louis Borloo.

Ontem, em Paris, a Agência Internacional de Energia (AIE) emitiu um comunicado no qual recriminou os governos da Rússia e da Ucrânia. "É totalmente inaceitável que a crise envolva clientes europeus que não fazem parte da divergência e que têm contratos de longo prazo baseados em preços justos e pagos rigorosamente", disse o texto.

Em Bruxelas, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, exortou os primeiros-ministros dos dois países, Putin e Ioulia Timochenko, e retornar à mesa de negociações. "É criticamente importante que o suprimento recomece de forma imediata", afirmou o português. Mirek Topolanek, primeiro-ministro da República Checa - país que exerce a presidência rotativa do Conselho Europeu -, ameaçou: "Se a entrega de gás não for restabelecida nas próximas 24 horas, haverá uma intervenção mais firme da União Europeia." Alemanha, França e até os Estados Unidos criticaram a disputa.

Os apelos não surtiram efeito sobre nenhuma das partes envolvidas na disputa . Putin condiciona o retorno do fornecimento à intervenção internacional. "A Gazprom retomará o suprimento só após a criação de um mecanismo de controle com a participação de observadores internacionais", reiterou.

Os técnicos interviriam verificando as centrais técnicas da Ucrânia, evitando o que a Rússia chama de "desvio de gás".

A acusação é desmentida pela Naftogaz, segundo a qual o desvio vinha sendo feito por questões técnicas, para suprir a redução do gás destinado ao país. Uma reunião entre as direções das duas companhias, membros de ambos os governos e representantes da União Europeia acontecerá às 9h de hoje, em Moscou.

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