A russa Severstal, a indiana Essar, o grupo chinês Shagang e um consórcio japonês estão na segunda rodada de ofertas pela Namisa, unidade de minério de ferro da CSN, de acordo com fontes próximas ao assunto. A venda da Namisa pode ser um negócio de US$ 10 bilhões.

A CSN contratou o banco Goldman Sachs este ano para vender uma parte ou a mineradora como um todo, aproveitando-se da forte demanda por minério de ferro em todo o mundo.

Uma fonte afirmou que o Goldman determinou um valor de US$ 10 bilhões para o ativo, o valor mais alto entre os estimados por analistas, apesar de vários bancos de investimentos terem citado algo entre US$ 7 bilhões e US$ 8 bilhões.

Procurada pela Reuters, a empresa não comentou o assunto pois está em período de silêncio. De qualquer forma, a empresa tem dito que quer finalizar a venda da Namisa entre agosto e setembro.

O interesse pela Namisa reflete o mercado atual de minério de ferro, em que as mineradoras correm para responder à forte demanda chinesa, enquanto siderúrgicas estão desesperadas para garantir seu próprio abastecimento. Os grupos siderúrgicos indianos Tata Steel e JSW, além da ArcelorMittal, a maior siderúrgica do mundo, também fizeram ofertas, disseram fontes. Não está claro, no entanto, se alguma delas ainda permanece no processo.

O consórcio japonês que disputa a Namisa é liderado por uma trading e inclui siderúrgicas do País. Duas fontes confirmaram que um grupo japonês estava realizando ofertas, mas não identificou as empresas. Dois consórcios chineses também participam. Um é um consórcio de aço que inclui o Baosteel Group e o Shougang Group. O outro é a siderúrgica privada Shagang Group, que pode se unir a uma trading, usinas menores e ao fundo soberano CIC.

Nova rodada

A segunda rodada de ofertas é esperada para as próximas semanas, mas uma fonte afirmou que vários proponentes, como a mineradora britânica Anglo-American, podem ainda entrar no processo.

O presidente-executivo da CSN, Benjamin Steinbruch, disse em maio que a Namisa é um negócio altamente rentável que a CSN gostaria de manter, mas vender uma participação minoritária para pagar dívidas era uma possibilidade. Vender uma participação de 30% a 40% ajudaria a CSN a pagar sua dívida de US$ 2,8 bilhões e financiar aquisições. Mas a empresa também já afirmou que não descarta vender a Namisa como um todo.

A CSN tem planos de ampliar a capacidade de produção anual da Namisa de 7,5 milhões de toneladas neste ano para 42 milhões de toneladas. Esse plano de expansão, juntamente com o valor de US$ 250 por tonelada de minério de ferro, poderia justificar os US$ 10 bilhões ou mais pela mineradora.

Pessoas próximas à Namisa disseram que uma venda da unidade não é garantida, já que o preço do ativo pode ser alto demais para alguns e a CSN não se comprometeu com a venda. "Eles vão vender ou não?", disse um executivo de um banco de investimento, que pediu para não ser identificado. Segundo ele, a empresa já colocou uma participação de 40% no mercado antes e depois não a vendeu.

A Namisa foi criada no fim de 2006, com o objetivo de iniciar os projetos de exportação de minério de ferro da CSN. A idéia, desde aquela época, era que a empresa passasse a fazer parte da divisão de minério da CSN, que seria separada da siderúrgica e teria ações listadas na Bovespa. No ano passado, a Namisa comprou, por US$ 440 milhões, a mineradora Companhia de Fomento Mineral e Participações (CFM), de Minas Gerais.

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