Moscou, 15 jan (EFE).- A Rússia propôs hoje à Europa que compartilhe riscos e participe de um consórcio internacional que compre da russa Gazprom o chamado gás técnico necessário para que a Ucrânia retome o fornecimento do insumo aos países europeus.

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, apresentou esta proposta, direcionada aos países europeus que consomem o gás russo, ao executivo-chefe da petrolífera italiana Eni, Paolo Scaroni, que disse que sua empresa está disposta a participar do consórcio.

Putin explicou que a Ucrânia, que após o corte no fornecimento à Europa pôs seus gasodutos em regime autônomo para garantir o abastecimento interno, precisa de 1,780 bilhão de metros cúbicos de gás técnico para reativar as estações de bombeamento e manter a pressão nos encanamentos.

"Propomos aos nossos principais parceiros europeus compartilhar os riscos do transporte e organizar um consórcio internacional que compre da Gazprom o volume necessário de gás tecnológico e o envie com urgência à Ucrânia para retomar o transporte do combustível russo à Europa", disse Putin, segundo a agência "Itar-Tass".

Ao mesmo tempo, acusou de "negligência tecnológica e quase um crime" a Ucrânia por deixar seus encanamentos sem a quantidade necessária de gás técnico, e tachou de "absurdo" o pedido de Kiev de obter de graça da Rússia essa quantidade de combustível, em vez de comprá-lo.

No entanto, o presidente ucraniano, Viktor Yushchenko, em carta a seu Governo indicou hoje que a Ucrânia pagará o gás tecnológico russo mais tarde, quando Moscou e Kiev firmarem os acordos sobre os preços do gás russo e as tarifas de seu transporte em 2009.

Scaroni disse que a iniciativa russa "é uma proposta muito construtiva e um novo passo nas tentativas empreendidas para restabelecer o fornecimento de gás".

Em declarações posteriores à imprensa russa, Scaroni disse que a proposta russa "será estudada por todas as companhias européias que recebem gás pelo território ucraniano".

Ao mesmo tempo, admitiu que o debate da iniciativa "pode criar muitos problemas" porque "haverá que se achar uma solução tanto tecnológica quanto comercial", ao se tratar de "companhias privadas para as quais o problema do preço é essencial", segundo "Interfax".

Acrescentou que a nova crise de gás entre Rússia e Ucrânia e suas consequências para a Europa demonstram mais uma vez a necessidade de diversificar as fontes de abastecimento e, em particular, de construir gasodutos alternativos aos atuais.

Neste contexto, Scaroni ressaltou a importância do projeto do gasoduto South Stream, que deverá unir a Rússia à Bulgária, onde se bifurcará, com seu ramal do norte passando por Sérvia, Romênia, Hungria e Áustria, e o do sul pela Grécia, com possibilidade de conexão com a Itália. EFE se/jp

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