Diretores da estatal russa Gazprom e da companhia venezuelana PDVSA (Petróleos de Venezuela) assinaram nesta sexta-feira um acordo para determinar possíveis direções para a cooperação entre ambos os países, na presença do presidente Hugo Chávez e seu colega russo Dimitri Medvedev.

Além disso, cinco gigantes russos da produção de hidrocarbonetos anunciaram que vão investir milhões de dólares na Venezuela, dentro do consórcio que será formado até 2009, segundo o ministro russo da Energia, Serguei Chmatko.

Os cinco grupos russos são Gazprom, Loukoïl, TNK-BP, Sourgoutnefnegaz e Rosneft, que criarão, em princípio, um consórcio russo para, posteriormente, se associar a companhias venezuelanas, entre elas a PVDSA.

"Agradeço ao senhor e a (o primeiro-ministro Vladimir) Putin por propor a formação de um consórcio de petróleo e de gás entre a PDVSA e a Gazprom", afirmou Chávez a Medvedev.

No espírito de cooperação entre os dois países, que têm em comum sua riqueza petroleira e sua rivalidade com os Estados Unidos, Chávez já havia permitido, em julho passado, que três companhias russas - Gazprom, Lukoil e TNK-BP - operem na Faixa do Orinoco, região sul da Venezuela rica em petróleo.

A Venezuela é o nono maior produtor de petróleo do mundo, segundo dados de 2004 do departamento de Energia americano, e é um dos principais abastecedores do mercado dos Estados Unidos.

Na véspera, Putin propôs a Hugo Chávez cooperar nos setores nuclear, militar e tecnológico, ao recebê-lo em sua residência na periferia de Moscou.

A Rússia também concedeu um empréstimo de um bilhão de dólares à Venezuela para a compra de armamento russo, anunciou o Kremlin em nota divulgada antes do início da visita de Hugo Chávez ao país.

"A Rússia adotou a decisão de conceder à Venezuela um crédito de um bilhão de dólares para implementar programas na área da cooperação técnico-militar", afirmou o comunicado, utilizando o jargão diplomático para se referir à compra de armas.

O Kremlin indicou que, desde 2005, a Venezuela assinou 12 contratos de armas com a Rússia no valor total de 4,4 bilhões de dólares (3 bilhões de euros).

A Venezuela comprou aviões de caça, carros de combate e fuzis de assalto da Rússia e planeja adquirir sistemas antiaéreos, veículos blindados e aviões de combate, informou na semana passada o diretor da Russian Technologies, Serguei Shemezov, ligado ao ex-presidente e atual premier russo, Vladimir Putin.

O presidente venezuelano chegou quinta-feira à Rússia, etapa seguinte de sua viagem internacional, que o levará também para França e Portugal.

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