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Rússia e UE assinam acordo para ajudar a pôr fim à crise do gás

MOSCOU - A Rússia e a União Européia assinaram um acordo neste sábado com o objetivo de restabelecer o fornecimento de gás ao bloco via Ucrânia. O corte do suprimento de gás russo para a Ucrânia mergulhou amplas áreas da Europa em uma crise energética no meio do inverno.

Reuters |

A Ucrânia ainda terá de assinar um acordo que permitirá que observadores ucranianos, russos e da UE monitorem o fluxo de gás através de seu território e acalme os temores de Moscou de que Kiev esteja desviando para seu uso combustível destinado a outros países.

"Vamos assinar e nós iremos imediatamente a Kiev pedir o mesmo da parte dos ucranianos. E assim poremos fim à crise", disse o primeiro-ministro checo, Mirek Topolanek, representando a presidência da UE, depois de cinco horas de conversações com o presidente russo, Vladimir Putin.

"Tão logo o mecanismo de controle comece a funcionar, iremos enviar o gás pelo sistema. Se virmos que está sendo furtado novamente, iremos outra vez cortar o fluxo," disse Putin.

A disputa, iniciada depois que Rússia e Ucrânia não chegaram a um acordo sobre os preços do gás neste ano, teve como consequência a pior interrupção até hoje no suprimento do produto para a Europa.

O continente depende da Rússia para um quarto de suas necessidades. Oitenta por cento do gás russo chega à Europa através de gasodutos que cortam a Ucrânia.

O leste e o centro da Europa foram os mais prejudicados pela disputa, que provocou o fechamento de fábricas e deixou dezenas de milhares de residências amargando temperaturas abaixo de zero, sem o aquecimento gerado pelo gás. A interrupção no fornecimento afetou 18 países.

Apesar de ter fechado o acordo neste sábado, Putin não deu sinais de que vá suavizar sua dura retórica em relação à Ucrânia.

"Nossas ações não têm como objetivo causar danos, mas, pelo contrário, visam à melhoria da situação na Ucrânia, a ajudar a Ucrânia a se livrar de trapaceiros e tomadores de suborno, e a tornar sua economia mais transparente," disse Putin.

Ele afirmou que além do monitoramento pela Rússia, Ucrânia e UE, especialistas de empresas européias do setor de gás também integrarão a equipe que fará a checagem do fluxo do produto através do território ucraniano - fato que teve a oposição de Kiev. Putin disse que Topolanek também havia pedido a inclusão de peritos da Noruega.

As relações entre Moscou e Kiev, já tensas por causa da oposição russa à investida da Ucrânia para juntar-se à Otan, sofreram um duro retrocesso.

A Rússia acusa a Ucrânia de corrupção e furto de gás destinado a outros países da Europa. Já o governo ucraniano diz que as ações da Rússia equivalem a chantagem para obter um aumento injustificável no preço do gás vendido ao país.

Mesmo que o fornecimento do gás seja retomado, é provável que seja entregue somente ao restante da Europa, e não à Ucrânia, já que Moscou e Kiev ainda terão de firmar um contrato para suprimento do produto neste ano. A Rússia vem repetindo que a Ucrânia tem de pagar o preço de mercado pelo gás.

(Reportagem adicional de Denis Dyomkin, em Moscou)

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