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Rússia e Ucrânia desbloqueiam a provisão do gás à Europa

Ignacio Ortega Moscou, 19 jan (EFE).- Rússia e Ucrânia desbloquearam hoje a provisão de gás natural à Europa, suspenso no dia 7 de janeiro, ao colocar em prática um novo contrato de bombeamento e trânsito do carburante russo válido por dez anos.

EFE |

"Acredito que a provisão de gás à Europa seja retomada completamente em breve. A (empresa russa) Gazprom está disposta a cobrir as necessidades diárias dos consumidores europeus", assegurou Vladimir Putin, primeiro-ministro russo, em entrevista coletiva.

Segundo a companhia estatal ucraniana Naftogaz, o gás russo começará a fluir para a Europa através dos gasodutos ucranianos nas próximas 36 horas.

Quando isso ocorrer, será colocado um ponto final a três semanas de uma "guerra do gás", que deixou sem calefação e água quente vários milhões de pessoas, em sua maioria em países como Bulgária, Moldávia e Eslováquia, que dependem do combustível russo.

Putin e a primeira-ministra ucraniana, Yulia Timoshenko, participaram em Moscou da assinatura por parte dos presidentes da Gazprom e da Naftogaz do contrato que estabelece as condições da provisão e trânsito de gás russo através de território ucraniano com destino à Europa até 2019.

Em seguida, o líder russo adiantou que já tinha ordenado a Gazprom que retomasse completamente a provisão de gás natural aos países europeus.

Putin crê que o fato de que o acordo seja a longo prazo permita evitar riscos e, ao mesmo tempo, modernizar o sistema de transporte de gás em estreita cooperação com os países europeus.

Além disso, assinalou que, a partir de agora, já não será necessária a presença de observadores europeus nos centros de provisão de gás de ambos os países para certificar que o carburante russo chega a seu destino.

Putin também louvou o papel responsável desempenhado por Timoshenko na hora de resolver a "guerra do gás" e lembrou que a Ucrânia é o último país europeu que pagará o gás russo a preços de mercado.

Por sua parte, Timoshenko declarou que o acordo permitirá que nos próximos anos não haja debates nem tensão sobre o gás, após o que se deslocou à sede central da Gazprom para finalizar os detalhes do reatamento da provisão à Europa.

"É um momento histórico. Retomaremos a provisão assim que o produto chegue aos gasodutos ucranianos. Não haverá nenhuma demora pela parte ucraniana. Ucrânia continuará sendo um parceiro confiável para o trânsito do gás russo à Europa", sentenciou.

O contrato assinado por Gazprom e Naftogaz é um fiel reflexo do acordo verbal feito na madrugada do domingo em Moscou por Putin e Timoshenko.

De acordo com esse documento, a Ucrânia pagará a partir de agora preços de mercado pelo gás russo, embora este ano terá 20% de desconto.

Em troca, Kiev manterá a tarifa preferencial de passagem do gás russo por seu território com destino aos consumidores europeus de US$ 1,70 por cada mil metros cúbicos de gás e cem quilômetros.

A partir de 2010, a Ucrânia pagará pelo carburante russo preços de mercado sem nenhum tipo de descontos, enquanto a Rússia fará o mesmo pelo trânsito de seu gás pelo território do país vizinho.

Timoshenko adiantou que os preços do gás russo para os consumidores ucranianos serão conhecidos nos próximos dois dias, e matizou que as tarifas cairão dramaticamente a partir do segundo trimestre devido à queda dos preços do petróleo.

A primeira-ministra ucraniana destacou que o contrato permitirá à Ucrânia, cuja economia se encontra em uma situação difícil, "economizar US$ 5 bilhões" em 2009.

O acordo foi recebido com alívio pela Comissão Europeia (CE) que ao término da reunião do Grupo de Coordenação do Gás emitiu um comunicado no qual afirmou que os países europeus superarão a crise do gás com perdas mínimas.

"A CE espera que a provisão de gás russo seja retomada na terça-feira", disse por sua vez Mark Franko, representante da CE em Moscou, em declarações à emissora de rádio "Eco de Moscou".

No último dia 7, a Gazprom cortou totalmente as provisões de gás à Europa através da Ucrânia, após denunciar que esse país roubava o carburante destinado aos consumidores europeus.

O conflito entre Rússia e Ucrânia explodiu no último dia 1º quando a Gazprom cortou as provisões a Kiev após não chegar a um acordo com a Naftogaz para as tarifas deste ano.

Rússia e Ucrânia já protagonizaram em 2006 outro episódio de "guerra do gás", mas a suspensão das provisões se prolongou somente durante três dias.

Pelo sistema de gasodutos ucranianos transita 80% das exportações de gás natural russo com destino à Europa, enquanto o resto passa por Belarus. EFE io/ma

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