O setor agropecuário da Argentina voltará a exibir seu poder de mobilização popular para pressionar os senadores argentinos a modificarem o projeto de lei sobre os impostos de exportações (as retenções), aprovado pela Câmara do país. As entidades rurais decidiram voltar às rodovias para uma vigília, mas sem realizar bloqueios do tráfego, e convocaram um ato massivo na cidade de Buenos Aires, na próxima terça-feira (dia 15), às 15 horas (horário de Brasília), um dia antes da votação no Senado.

O objetivo é repetir a demonstração de poder de força com o apoio popular, como ocorreu em Rosario (importante centro produtor agrícola), durante o terceiro locaute de grãos para exportação, realizado para protestar contra o governo e sua imposição de alíquotas variáveis e acima de 50% para o agronegócio. No dia 25 de maio, data do primeiro governo pátrio, o campo reuniu mais de 200 mil pessoas na praça do monumento à Bandeira, de significado simbólico para o país.

Agora, o campo quer migrar a mobilização do interior para a capital do país, na tentativa de sensibilizar os senadores. O projeto de lei do Executivo foi aprovado na Câmara por apenas sete votos de diferença. O resultado surpreendeu o governo, que desde 2003 mantém uma maioria absoluta em ambas as Casas. Os deputados não alteraram a essência das "retenções móveis", como são chamadas as alíquotas de exportação que variam de acordo com os preços internacionais dos grãos.

Porém, incluíram uma ampla margem de devoluções dos impostos pagos para os pequenos e médios produtores. Com isso, as retenções efetivas atingirão menos produtores. Pelo projeto aprovado, quem colher até 300 toneladas de soja, equivalentes à uma produção de aproximadamente 100 hectares (cada hectare representa 10 mil metros quadrados), pagará retenções de 30%. Os que tiverem uma colheita de até 1.500 toneladas (500 hectares) pagarão 35%. Acima deste volume, pagará a alíquota móvel que hoje se encontra em 49%. Mas estas devoluções de impostos têm data de validade e só vão durar até 31 de outubro.

A aspiração maior dos produtores é derrubar a resolução 125 que foi convertida em lei pela Câmara, por meio de projeto enviado pelo governo da presidente Cristina Kirchner. Dos 72 senadores, o governo conta com a fidelidade de 34, mas precisa de 37 para dar quórum no plenário. Trinta e um senadores estão contra o projeto do governo e apóiam o campo, enquanto seis estão em dúvida e um já declarou sua abstenção (Roberto Urquía, do dono da fábrica de óleos Deheza, beneficiada por subsídios do governo). "O ato será realizado um dia antes (da sessão plenária do Senado) para chamar a atenção dos senadores, para que leiam nos jornais no dia seguinte e entendam do que se fala", disse o vice-presidente da Sociedade Rural, Hugo Biolcatti.

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