Em breve, produtos de consumo, como cosméticos e alimentos industrializados, deverão trazer, nas embalagens, a informação do total de carbono que emitem na atmosfera. Na Alemanha, um grupo de nove empresas, como a indústria química Henkel e a empresa de embalagens TetraPak, já começou a mapear a pegada de carbono (carbon footprint) dos produtos.

A empreitada envolve os centros de pesquisa Oko-Institut, PIK (Potsdam Institute for Climate Impact Research) e Thema1, em parceria com a ONG WWF. Juntos, estão trabalhando para desenvolver uma metodologia padronizada para determinar o impacto de emissão de carbono dos produtos, desde a matéria-prima até o descarte. Para as empresas, a informação no rótulo dos produtos pode se tornar uma boa estratégia de marketing.

De acordo com Uwe Bergmann, gestor global de sustentabilidade da Henkel, para se chegar ao total de emissões de CO2 dos produtos é preciso adaptar uma ferramenta já conhecida na indústria, a análise de ciclo de vida (ACV), que calcula o impacto ambiental de um produto ou tecnologia.

São levados em conta itens como matéria-prima, combustível usado no processo e o destino que o produto terá após o descarte. "Basicamente, é a mesma metodologia de ciclo de vida, só que focada nas emissões de carbono durante a fabricação e o uso dos produtos", diz.

No caso da Henkel, serão analisados quatro produtos: um gel para banho, um sabão em pó, um impermeabilizante para juntas de janelas e uma cola de uso industrial. A etapa seguinte do projeto, cujos resultados preliminares devem estar disponíveis ainda neste semestre, será traçar uma estratégia de comunicação para levar as informações ao consumidor.

"A rotulagem dos produtos é uma possibilidade, mas não a única. A quantidade de emissões de carbono em um produto não é uma informação simples de ser passada", diz o executivo. "No caso de alguns produtos, como o gel para banho, até 90% do impacto ambiental do produto está associado ao uso de água quente no banho. O ideal seria orientar o consumidor para que tome um banho mais curto ou reduza a temperatura da água, economizando energia." Segundo o executivo, a análise das emissões de carbono pode custar até 50 mil por produto.

Segundo o diretor de meio ambiente da TetraPak, Fernando von Zuben, ainda não existe previsão para que esse tipo de informação chegue às embalagens cartonadas no Brasil. "Mas, independentemente de rotulagem, é irreversível a tendência das empresas de mapearem as emissões de carbono."

A fabricante de cosméticos Natura está conduzindo processo semelhante em suas linhas de produtos. "A previsão é começar a trazer a informação sobre CO2 na embalagem após o mapeamento das emissões por produto ser concluído e auditado. Provavelmente no início de 2009", afirma Daniel Gonzaga, diretor de pesquisa e tecnologia da Natura. Desde o ano passado, a empresa passou a prestar informações ambientais nos rótulos dos cosméticos.

Cerveja verde

No mundo todo, ainda são poucos os exemplos de produtos que trazem dados sobre volume de CO2 emitido em sua produção. "Mas a tendência é forte, à medida que caminhamos para uma economia com baixa emissão de gases de efeito estufa", diz Divaldo Rezende, presidente da Cantor CO2e, corretora especializada em créditos de carbono.

Um exemplo é a cervejaria britânica Adnams, que lançou a primeiro cerveja "carbono neutro", com informações sobre seu impacto ambiental. O projeto, fruto de uma parceria com uma universidade, permitiu mapear as emissões do processo de fabricação - cada garrafinha long neck da cerveja emite em torno de 118 gramas de CO2. Nos EUA, a Timberland, marca de calçados esportivos, também já traz esse tipo de informação.

Leia mais sobre rótulos

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.