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Rombo externo supera US$ 23 bi

O agravamento da crise internacional acelerou a saída de recursos do país e contribuiu para que a conta de transações correntes (que registra operações de comércio exterior, serviços e rendas) tivesse déficit de US$ 2,77 bilhões em setembro, mais que o dobro do saldo negativo de US$ 1,09 bilhão de agosto, e acima do US$ 1,7 bilhão previsto pelo Banco Central (BC). O resultado de setembro veio bem acima das expectativas de mercado, que previam no máximo US$ 2 bilhões de déficit.

Agência Estado |

O BC espera novo saldo negativo em outubro: US$ 2 bilhões. No ano, o déficit é de US$ 23,26 bilhões, equivalente a 1,95% do Produto Interno Bruto (PIB), a soma das riquezas produzidas anualmente pelo País.

O motivo principal para o desempenho negativo da conta corrente foi o volume de remessas de lucros e dividendos das empresas estrangeiras, que atingiu US$ 3,44 bilhões. Os dados parciais do BC mostram que em outubro, até ontem, as remessas somavam US$ 1,13 bilhão.

Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, nada garante que não haverá aceleração dessas remessas no fim do mês, como ocorreu em setembro, mas ele avaliou que a tendência é de desaceleração, porque, com a desvalorização do real ante o dólar, o estoque a ser remetido cai e, além disso, espera-se queda na rentabilidade das empresas.

O economista da Tendências Consultoria André Sacconato também espera desaceleração nas remessas, mas estima que até o fim do ano a média mensal deve ficar entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões. Segundo ele, o resultado de setembro é conseqüência direta da crise, que levou a um movimento de cobertura de prejuízos de empresas americanas e européias.

"As empresas puxaram tudo que poderiam. A intensificação da crise levou as empresas a suprir suas perdas." Sacconato avalia que, apesar do resultado inesperado em setembro, o déficit em conta corrente ainda não deve ser considerado preocupante, porque tem sido compensado pelos ingressos na conta financeira, especialmente de Investimento Estrangeiro Direto (IED). Mas ele afirmou que o resultado da conta corrente e da conta financeira em outubro pode ser negativo, por causa da saída de recursos do mercado financeiro.

A crise também provocou estrago na conta financeira do balanço de pagamentos. A turbulência levou os investidores estrangeiros a retirarem do mercado financeiro do Brasil mais de US$ 5 bilhões em outubro, até ontem. Segundo Altamir Lopes, as saídas de estrangeiros do mercado acionário somaram US$ 4,39 bilhões neste mês, enquanto US$ 842 deixaram as aplicações de renda fixa no País.

Os dados deixam claro por que os preços dos ativos brasileiros caíram. Em setembro, os números já tinham sido negativos, com as aplicações em ações e renda fixa tendo saída líquida de US$ 1,25 bilhão. Ou seja, desde o mês passado, quando a quebra do Lehman Brothers inaugurou um período de alta volatilidade no mercado mundial, saíram do Brasil US$ 6,5 bilhões das aplicações financeiras.

"O efeito da crise se observa mais na escassez de linhas de crédito para o comércio exterior e na saída de investimentos de portfólio (ações e renda fixa)", disse Altamir Lopes. Em relação ao comércio exterior, os dados mostram que os financiamentos de curto prazo, onde se encaixam operações de financiamento ao comércio, tiveram em setembro saldo negativo de US$ 1,02 bilhão, revelando que parte importante dos créditos não foi renovada.

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