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O presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de São Paulo (Crea-SP), José Tadeu da Silva, afirmou que a colocação de apenas quatro das cinco vigas de sustentação da estrutura do viaduto é uma provável hipótese da causa do desabamento. Esse tipo de estrutura exige que se coloque as cinco vigas simultaneamente.

Colocar quatro, sem avaliar as consequências, pode ter sido o erro ou a falha na construção da estrutura", disse Silva, que visitou o canteiro de obras do Rodoanel onde ocorreu o acidente.

De acordo com o Crea, as cinco vigas precisam ser fixadas ao mesmo tempo, para que ocorra um equilíbrio de pesos no alto da estrutura. Ainda não há prazo para a conclusão da investigação sobre as causas do acidente, que também estão sendo realizadas pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Seis profissionais integram a equipe que vai apurar o caso. Poderá haver punição, que vai desde advertência até a perda do registro profissional.

Paralelamente aos trabalhos do Crea e do IPT, o Ministério Público Estadual também abriu ontem uma ação para investigar o acidente e eventuais responsabilidades de agentes públicos envolvidos. A liderança do PT na Assembleia Legislativa informou que vai acionar o Ministério Público Federal e pedir auditoria especial no Tribunal de Contas do Estado para investigar responsabilidades.

"O Rodoanel tem mais de duas mil peças iguais a essas. É provável que a falha tenha sido na colocação e não na peça", disse Silva. Uma das cinco vigas quebrou quando estava sendo levada para o local e resultou na colocação de apenas quatro.

Silva ressalta ainda que o projeto determina - o que já foi feito em todo o Rodoanel - que se coloque três vigas na sustentação central e duas nas laterais. "Vamos apurar quem deu a ordem de colocar quatro, quando o recomendável são cinco. Quando você fica sem uma das peças, pode haver desestabilização."
Segundo o presidente do Crea, depois deve ser colocada a peça que será a pista de rolagem e, no final, é feita uma espécie de amarração com cabos de aço. "Essas etapas têm de seguir essa ordem e a amarração impede que haja deslocamento. Se não se obedece a todas as etapas, há risco de falhas e acidentes."

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