A economia brasileira sofrerá ao longo do ano uma desaceleração relativamente brusca. Afinal, a expectativa é de que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha saído de uma expansão ao redor de 12% no primeiro trimestre (em termos anualizados) para algo entre 4% e 5% no quarto trimestre.

A economia brasileira sofrerá ao longo do ano uma desaceleração relativamente brusca. Afinal, a expectativa é de que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha saído de uma expansão ao redor de 12% no primeiro trimestre (em termos anualizados) para algo entre 4% e 5% no quarto trimestre. Economistas explicam que, apesar da freada substancial, o brasileiro não sentirá efeitos ruins no dia a dia. "Essa acomodação é positiva porque levará o País a crescer mais devagar e de forma mais sustentável", afirma a economista-chefe do banco ING, Zeina Latif. "A economia continuará indo para a frente, mas em ritmo mais lento. É um crescimento mais equilibrado", diz, por sua vez, o economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa. Para André Loes, economista-chefe do HSBC, o maior problema para o País sustentar um crescimento mais elevado é a falta de investimentos. "O País não adiciona capacidade produtiva em uma velocidade suficiente para evitar um descompasso entre a oferta e a demanda", explica. Alta de preços. Um dos efeitos mais imediatos desse quadro é a inflação. Nos últimos meses, os índices de preços já vêm apresentando alta, fruto, em grande medida, da pressão de demanda. A expectativa do mercado é de que o índice oficial de inflação brasileiro (IPCA) supere substancialmente a meta de 4,5% neste ano. Muitas empresas estão aproveitando o bom momento da economia para elevar seus preços e, consequentemente, suas margens de lucro. Segundo o mais recente boletim Focus, síntese de uma pesquisa feita pelo Banco Central com instituições financeiras e consultorias, a expectativa é de que o IPCA termine 2010 em 5,67%. A meta de 4,5%, porém, tem uma tolerância de dois pontos porcentuais para baixo ou para cima. Além da ação mais restritiva do BC na condução da taxa de juros, os analistas lembram que o governo retirou a maior parte dos estímulos adotados durante o auge da crise para evitar uma queda ainda mais profunda da economia. "Parte do forte crescimento do primeiro trimestre foi efeito da antecipação de consumo. As pessoas sabiam que a redução de impostos ia acabar e foram às compras", diz a economista Thaís Zara, da Rosenberg & Associados. Também se espera que a acomodação do ritmo de crescimento da economia leve a uma desaceleração das importações, o que, por sua vez, tende a reduzir o déficit do Brasil com o exterior. Em abril, o País registrou o maior rombo na conta corrente da história para este mês do ano, de US$ 4,6 bilhões. Emprego. O economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, observa que um dos impactos dessa desaceleração também se dará no emprego. Segundo ele, diferentemente do que ocorre hoje, uma alta do PIB entre 4% e 5% é capaz de absorver a mão de obra que ingressa no mercado de trabalho, mas não os desempregados que estão inativos há muito tempo. "Atualmente, as empresas estão contratando pessoas que estão paradas há bastante tempo", afirma. Thaís Zara, da Rosenberg & Associados, acredita que, no fim do ano, as pessoas provavelmente sentirão mais dificuldades para tomar dinheiro emprestado. Isso deve se refletir diretamente nos níveis de consumo. "É a partir desse momento que vai ficar mais claro o aperto da política monetária promovido pelo Banco Central", afirma a economista. <i>As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.</i>

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