SÃO PAULO - A redução da preocupação com uma crise generalizada na Europa resultou em aumento nos prêmios de risco no mercado de juros futuros. Pelo comportamento da curva, os agentes reduzem o peso da influência externa na condução da política monetária local.

Segundo o diretor de gestão da Meta Asset Management, Henrique de La Rocque, o que mercado assiste hoje é o quadro reverso do observado na semana passada. O especialista lembra que, conforme a situação piorava na zona do euro, ganhava corpo a percepção de que o Banco Central pudesse reavaliar o tamanho do ciclo de alta de juros, pois em um ambiente recessivo se reduz a ameaça inflacionária. Já hoje, após o anúncio do plano de socorro de 750 bilhões de euros, temos um cenário de recuperação, com alta das nas bolsas e commodities. "A princípio, o mundo pode continuar crescendo e talvez o ajuste de juros seja grande mesmo", explica. Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para junho de 2010 tinha acréscimo de 0,01 ponto, a 9,39%. Julho de 2010 também ganhava 0,01 ponto, a 9,70%. E janeiro de 2011, o mais líquido do dia, subia 0,09 ponto, projetando 11,08%. Já os vencimentos longos, diz de La Rocque, têm um comportamento mais ligado aos outros ativos, mostrando redução no prêmio de risco. Também não se descarta que os estrangeiros tenham voltado a aplicar nas taxas longas. Também na BM & F, o DI para janeiro de 2012 ainda subiu 0,04 ponto, a 12,39%. Mas o contrato para janeiro de 2013 cedeu 0,05 ponto, a 12,75%, e janeiro 2014 caiu 0,09 ponto, para 12,74%. Até as 16h15, foram negociados 721.670 contratos, equivalentes a R$ 64,82 bilhões (US$ 35,33 bilhões), metade do registrado na sexta-feira. O vencimento janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 293.210 contratos, equivalentes a R$ 27,36 bilhões (US$ 14,91 bilhões). (Eduardo Campos | Valor)

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