O sucesso ou fracasso da última tentativa da Prefeitura em restaurar a região da cracolândia está nas mãos de dois consórcios de empresas. A segunda de três etapas do projeto Nova Luz, que vai decidir o que será feito na região, terminou na última sexta-feira, habilitando dois grupos para seguir na disputa.

O sucesso ou fracasso da última tentativa da Prefeitura em restaurar a região da cracolândia está nas mãos de dois consórcios de empresas. A segunda de três etapas do projeto Nova Luz, que vai decidir o que será feito na região, terminou na última sexta-feira, habilitando dois grupos para seguir na disputa. Essa licitação é diferente das que costumam ocorrer na cidade. No lugar de escolher um projeto, o processo público está definindo quem é o grupo mais habilitado a propor as mudanças na região. O projeto prevê uma concessão urbanística - que permite, inclusive, desapropriações bancadas pela iniciativa privada na área -, mas preservando o patrimônio histórico instalado lá e garantindo a construção de moradias populares. Dos cinco consórcios de empresas que se inscreveram nessa licitação, três foram desclassificados na sexta-feira após o fim da análise das propostas técnicas. A eliminação foi oficializada na sábado no Diário Oficial da Cidade. Essa análise atribuiu pontos aos dois consórcios finalistas. Na frente, está o consórcio Concremat/Cia.City/Aecom/FGV, com 81,3 pontos. Na outra ponta, está o Consórcio Nova Luz, com 75 pontos. Agora, para que o vencedor seja definido, basta abrir os envelopes com as propostas de preços, o que deve ocorrer ainda neste mês. Nenhum dos consórcios adianta o que vai acontecer com a cracolândia. Ambos ficam no senso comum ao dizer que é preciso preservar o patrimônio histórico da região e, ao mesmo tempo, oferecer alternativas que possibilitem a ocupação da área por moradias e por polos geradores de empregos, garantindo a ocupação da região 24 horas por dia. O escritório de arquitetura Piratininga faz parte do Consórcio Nova Luz. O arquiteto José Armênio de Brito Cruz, um dos quatro sócios do escritório, diz que o interessante na proposta é a "pergunta" feita pela gestão Gilberto Kassab (DEM): o que fazer com a região? "A questão urbana ainda está engatinhando no Brasil. As cidades são a grande obra do homem no século 20 e é preciso repensar sua ocupação", afirma. "Essa questão colocou São Paulo no centro das discussões sobre urbanismo no mundo." José Bicudo, presidente da Companhia City, do outro consórcio, afirma que o projeto é um desafio. Diz que a área é complexa e dá pistas sobre o que pode ser feito: "O patrimônio (arquitetônico) poderia ser incorporado a outras construções", diz, com a ressalva de que isso depende de autorização de órgãos de proteção.

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