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Reuniões foram inúteis, diz Amorim sobre primeiro dia das conversas por acordo na Rodada Doha

GENEBRA - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, qualificou de totalmente inútil o primeiro dia da reunião ministerial por um acordo na Rodada Doha, incluindo uma suposta nova oferta agrícola da União Européia (UE). Amorim alertou os outros ministros a não tentarem alimentar na opinião publica a idéia de que um acordo está próximo, diante do acúmulo de problemas e condicionalidades.

Valor Online |

"Essa reunião era necessária, mas está difícil e (o primeiro dia) foi totalmente inútil, não teve nenhuma nova idéia, nenhuma nova sugestão, vamos ver o que acontece amanhã (hoje)", comentou o ministro. No total, estão presentes em Genebra quase 60 ministros, incluindo os da União Européia.

Os países repetiram suas posições. A África do Sul, que já conseguiu uma exceção para proteger sua indústria, foi o mais duro na reação à demanda dos países ricos, levando os europeus a indagarem a outros emergentes o que fazer com o sócio sul-africano.

Pela manhã, o comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, ocupou o terreno ao anunciar que estava preparado a aceitar corte tarifário médio de 60% nas tarifas agrícolas, comparado a 54% atualmente na mesa de negociações, no esforço por um acordo. "Decidimos ajudar a negociação esta semana com um forte começo, aumentando os cortes médios" , disse. "Isso é uma melhora importante de nossa parte" , acrescentou, pegando muitos de surpresa, considerando a tensão entre a França, Irlanda e outros protecionistas com o que a UE já apresentou em Doha.

Logo depois Amorim confirmou que já tinha ouvido o mesmo número de Mandelson, mas que nem ia "perder tempo" examinando a suposta nova oferta. "Ora, os 60%! É muito fácil produzir 60%, 90% quando eu escolho produtos em que ninguém está interessado ou que poucos países exportam. Eu quero saber o que eles vão fazer com frango, etanol, açúcar. É isso que me interessa", retrucou.

O golpe mais forte, contudo, veio três horas depois, quando a França, na presidência da UE, convocou jornalistas e avisou que não havia nenhuma concessão nova na agricultura. O que havia era apenas um novo cálculo do que a Comissão Européia poderia aceitar e que nem os ministros de agricultura tinham entendido direito.

Para chegar aos 60%, Bruxelas incluiu os cortes de tarifas sobre produtos tropicais, que estavam até então em outra lista de negociação na OMC. "Não há nova oferta, nem concessão suplementar" , afirmou Michel Barbier, ministro da Agricultura da França. "Já temos a oferta agrícola mais generosa entre todos" , argumentou.

Os ministros de Agricultura dos 27 países da UE, reunidos em Genebra com a comissária agrícola, Mariann Fischer-Boel, e com Mandelson, pediram explicações de como eles chegaram à cifra de 60% com a inclusão de produtos tropicais. Mandelson é reputado desde os tempos de ministro do governo Tony Blair, na Grã-Bretanha, como um exímio manipulador de informações. No começo da noite, saindo da OMC, insistiu que sua proposta era "nova".

Representantes do setor agrícola do Brasil presentes em Genebra indicaram que o texto agrícola em negociação já é bom, e o que esperam é que não haja retrocesso. Chama a atenção a ausência do ministro brasileiro da Agricultura numa negociação central para o setor. A Irlanda, país que ataca o Brasil o tempo todo por sua produção de bovinos, mandou quatro ministros a Genebra. Ontem, os representantes do Ministério da Agricultura não foram informados pelo Itamaraty nem de reuniões bilaterais. Ficaram do lado de fora enquanto Celso Amorim se encontrava com a americana Susan Schwab e onde os temas principais incluíam subsídios agrícolas e etanol.

O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) veio com sua lista de produtos especiais agrícolas que, pelas discussões na OMC, podem ficar livres de liberalização. Grande exportador agrícola, com superávit previsto de US$ 58 bilhões este ano no setor, o Brasil tem ao mesmo tempo uma agricultura familiar forte e o direito de também frear importações. O MDA tem uma lista que engloba 15% das linhas tarifárias agrícolas, para proteger a produção interna de leite, mandioca, arroz, feijão, trigo, alho, cebola, tomate e milho - ou seja, a cesta básica.

(Assis Moreira | Valor Econômico) 

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