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Reunião ministerial de hoje na OMC é considerada decisiva

GENEBRA - As reuniões ministeriais sobre agricultura e indústria se transformaram de novo num confronto entre países ricos e em desenvolvimento. E as reuniões desta tarde são consideradas decisivas para selar o rumo da combalida Rodada Doha, a negociação global visando liberalizar o comércio.

Valor Online |

 

Os sete principais países - Brasil, Estados Unidos, Uniao Européia, China, Índia, Japão e Austrália - tiveram 10 horas de reunião particularmente tensa que terminou às 4h da manhã. O problema, segundo negociadores, é que cada país diz ao diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, que tem flexibilidade para negociar um acordo. Quando sentam na mesa de negociação, porém, só repetem as cobranças.

Assim, se não houver concessões hoje, o sentimento é de que será inútil continuar. Esta madrugada, a negociação acumulou ingredientes para o fiasco.

Os Estados Unidos e a União Européia passaram a cobrar do Brasil e outros emergentes ainda mais na área industrial.

Por sua vez, a China, Índia e Japão exigiam mais margem para frear importações agrícolas. O Brasil reagia tentando moderar as barreiras do lado asiático, batendo nos subsídios e barreiras dos Estados Unidos e UE e resistindo na área industrial.

Todos eram cobrados por todos e pediam tudo de todos. A situação era muito difícil, embora ainda não de crise, mas com a rigidez das posições, um acordo agrícola e industrial parecia mais distante.

Alguns negociadores falavam de alguns avanços dentro dos limites de cada país, insuficientes para concluir um acordo.

Um dia depois da oferta pouco significativa dos Estados Unidos para limitar em US$ 15 bilhões seus subsídios agrícolas, alguns países protecionistas endureceram suas posições, num cenário pouco confortável para o Brasil, que exporta acima de 50% para os países em desenvolvimento.

A Índia quer reabrir as bases do texto de mediação para um acordo agrícola, a fim de obter toda liberdade para designar produtos especiais agrícolas por razões de segurança alimentar e desenvolvimento rural.

Significa ter acima de 18% dos produtos como especiais, para manter alta proteção contra a entrada de produtos estrangeiros. Kamal Nath, o ministro indiano de Comércio, chegou avisando que não iria negociar em cima da pobreza de 650 milhões de agricultores do país.

Por sua vez, a China, um dos maiores importadores, resolveu brigar pelo uso de um mecanismo de salvaguarda especial, para sobretaxar importações quando houver aumento súbito de volume ou queda no preço. O Brasil pediu para os chineses moderarem sua posição. Mas na mesa de negociação, Pequim insiste em poder impor sobretaxa inclusive acima da tarifa atual. Ou seja, o novo acordo de liberalização viria com retrocesso, porque em certos casos a alíquota de importação de alguns produtos em países em desenvolvimento poderia ser maior do que atualmente. Por exemplo, a taxa sobre soja na China é de 3%, mas se a importação chinesa aumentar demais, Pequim poderá elevá-la para até 18%, o que é um retrocesso ao invés de abertura do mercado.

Por sua vez, o Japão também era acusado de rigidez, insistindo contra o limite para tarifas agrícolas. Uma das idéias é de limitar a 100% a tarifa máxima agrícola no comércio global. Tóquio, porém, quer manter o maior número possível de alíquotas elevadas. Os chineses e os japoneses estão complicando demais, reclamou uma fonte.

A reunião começou às 15h e foi suspensa às 23h para Lamy ouvir separadamente cada ministro, com retomada prevista para hoje. A ordem era para os ministros não falarem, ou falarem pouco, diante da delicadeza da situação.

Enquanto os ministros descansavam para voltar à OMC, técnicos continuaram discutindo sobre questões como a salvaguarda especial para países em desenvolvimento.

Na noite de segunda-feira, os Estados Unidos acabaram aceitando o limite de subsídio por produto, que o Brasil considera como um dos maiores ganhos na negociação agrícola.

Para o agronegócio, o teto de subsídio por produto é mais importante do que o limite de US$ 15 bilhões de subsídios distorcivos nos EUA. Pelo atual acordo da Rodada Uruguai, os EUA podem gastar atualmente até US$ 19,1 bilhões em ajuda a um só produto agrícola. Agora, o montante baixa para US$ 7,6 bilhões, com teto específico, o que significa não poder concentrar tudo num só produto, como no passado.

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