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Reunião da Unasul é recado à oposição

O alerta do presidente boliviano, Evo Morales, de que um golpe contra ele era iminente, e as evocações do movimento que depôs o chileno Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973, foram fatores cruciais para que a líder chilena, Michelle Bachelet, decidisse convocar para hoje, em Santiago, a reunião de emergência dos 12 países da União Sul-Americana (Unasul). Fontes diplomáticas afirmaram ao Estado que, logo após a decisão, teve início um intenso esforço para romper a hesitação do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva - que, inicialmente, havia posto em dúvida a eficácia da reunião para solucionar o impasse político na Bolívia.

Agência Estado |

A avaliação dos promotores da reunião era a de que a ausência do brasileiro esvaziaria definitivamente a cúpula.

De acordo com o jornal chileno La Tercera, Bachelet - que ocupa a presidência pró-têmpore da Unasul - convenceu-se da necessidade de promover o encontro extraordinário depois de conversar com Evo por telefone. Na sexta-feira, o líder venezuelano, Hugo Chávez, havia lembrado que o isolamento político em relação aos países da região tinha sido fator importante no golpe liderado por Augusto Pinochet contra Allende.

Ante o aprofundamento da crise boliviana e os temores manifestados a ela por Evo, Bachelet convocou o encontro não com a pretensão de apresentar algum plano de mediação entre o presidente e os opositores bolivianos, mas sim para deixar claro o forte apoio político dos países vizinhos a La Paz.

Chávez foi o primeiro a confirmar presença na cúpula, seguido de seu colega equatoriano, Rafael Correa, e da argentina, Cristina Kirchner. Hesitavam Lula - segundo diplomatas, incomodado com a recusa de Evo em aceitar a iniciativa de mediação do Brasil à frente do Grupo de Países Amigos da Bolívia - e o peruano Alan García, irritado com a acusação do presidente boliviano de que "mercenários vindos do Peru" estavam promovendo o "massacre" de camponeses pró-governo no Departamento (Estado) de Pando. García será o único dos 12 presidentes do grupo a enviar um representante para o encontro.

"Essa reunião só tem sentido se houver um pedido da Bolívia e uma proposta (para resolver o impasse)", disse Lula no sábado. "É importante deixar claro que não temos o direito de tomar nenhuma decisão sem a concordância do governo e da oposição da Bolívia." A contragosto, no entanto, ele aceitou viajar para Santiago, onde chega hoje à tarde, pouco antes do início da reunião, previsto para as 15 horas (16 horas de Brasília).

"É óbvio que a finalidade do encontro da Unasul não é a de resolver a crise boliviana, até porque nenhum representante da oposição a Evo participará", disse o professor ciências políticas Álvaro Conti, da Universidade Católica de Santiago. "O objetivo da reunião é enviar uma clara mensagem aos opositores e, eventualmente, a setores descontentes do Exército boliviano de que os países da região não aceitarão nenhum tipo de rompimento da ordem constitucional na Bolívia."

"A idéia é fazer com que o esforço da Unasul tenha continuidade com o que vai fazer a Organização dos Estados Americanos (OEA) para criar uma mesa de diálogo que leve as partes a uma solução, respeitando a institucionalidade e a constitucionalidade de um governo legitimado por um referendo convocado pelo presidente Evo", declarou ontem o chanceler chileno, Alejandro Foxley.

A oposição a Bachelet, no entanto, partiu para o ataque contra a convocação da cúpula. "Toda ajuda para impedir qualquer tipo de guerra civil é, obviamente, bem-vinda. Mas, se os bolivianos não são capazes de resolver isso, não vejo como possamos fazer isso daqui, por controle remoto", declarou o dirigente do partido Renovação Nacional (de direita) Carlos Larraín.

"Nesses assuntos, é melhor estar só do que mal acompanhado e a presidente Bachelet está pondo em risco sua imagem internacional. Creio que não precisamos nem de um circo nem de palhaços aqui no Chile", disse o deputado da União Democrática Independente (de direita), em referência à presença de Chávez em Santiago.

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