SÃO PAULO - O entendimento entre alguns sindicatos e o consórcio italiano CAI salvou, por enquanto, a Alitalia do colapso. A principal novidade é que a Air France-KLM, que no início do ano havia tentado comprar a empresa italiana, parece agora ter se juntado à CAI no processo de aquisição.

Em comunicado oficial, o administrador judicial da Alitalia, Augusto Fantozzi, afirmou ter recebido ontem uma carta da CAI comunicando o reatamento das negociações de compra e um certo otimismo quanto ao processo. "Considerando a retomada e o progresso das negociações com os sindicatos (...) ainda é possível chegar às condições às quais o sucesso da oferta estava subordinada", afirma a carta. "Portanto, a oferta deve ser considerada totalmente válida, nos mesmos termos e condições estabelecidos inicialmente, exceto pela extensão do prazo até 15 de outubro de 2008", acrescenta o comunicado.

O perigo de que a Alitalia pare de operar, porém, ainda não passou e seu futuro está nas mãos de dois outros sindicatos, que têm de dar seu aval ao plano de recuperação do consórcio e, assim, afastar de vez a ameaça das agências reguladoras italianas de ordenar a paralisação da companhia.

Na semana passada, a CAI havia retirado uma proposta de compra de 1 bilhão de euros por conta da resistência de seis dos nove sindicatos de empregados da Alitalia. Com o apoio dado ontem por mais quatro sindicatos ao plano, restam apenas as organizações que representam pilotos e comissários aceitarem a proposta.

Com o acordo de ontem, a agência de aviação civil do país (ENAC, na sigla em inglês) afirmou que estava satisfeita em ver que o plano de resgate da Alitalia estava de volta aos trilhos. Por isso, afirmou que "por enquanto" não irá cumprir a ameaça de suspender a licença de vôo da companhia.

Segundo a mídia italiana, a AF-KLM afirmou ter interesse em adquirir uma fatia de 10% a 25% da Alitalia. A especulação, não confirmada, é consistente com declarações oficiais da companhia franco-holandesa que, recentemente, afirmou que teria interesse em investir na italiana caso o plano de resgate da CAI se mostrasse sustentável e viável. Os meios de comunicação da Itália também basearam sua especulação em declarações do prefeito de Roma, Gianni Alemanno, que disse que a AF-KLM estaria de volta à mesa de negociações pela Alitalia.

Uma dos principais pontos do plano da CAI que desagradava os sindicatos, e foi usado como motivo para a inicial rejeição da proposta, é a demissão de mais de 3 mil funcionários. A retirada da proposta e as ameaças da ENAC, porém, foram importantes para que os sindicatos voltassem atrás, evitando mais de 20 mil demissões, que podem ocorrer caso a Alitalia pare de operar.

(José Sergio Osse | Valor Online)

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