A Pesquisa Mensal de Emprego de fevereiro, divulgada ontem, não decidiu a queda de braço entre os analistas que acham que o pior já passou no mercado do trabalho e aqueles que ainda esperam mais deterioração. O desemprego de 8,5% foi considerado um número relativamente bom, já que é menor do que as expectativas mais pessimistas do mercado.

O problema, porém, é que esse resultado foi atingido em boa parte pelo fato de que a População Economicamente Ativa (PEA) foi reduzida inesperadamente em 160 mil pessoas, quando, na média do mês de fevereiro de 2002 a 2008, ela aumentou em 70 mil.

"O desemprego veio menor do que eu esperava, o que é positivo, mas a forma como isso ocorreu não é nada positiva", diz o economista José Márcio Camargo, da Opus Gestão de Recursos, e professor da PUC-Rio.

Os números de ontem não mudaram a visão pessimista de Camargo. Ele prevê que o desemprego atinja de 10% a 11% em meados do ano, fechando 2009 em torno de 9%, dois pontos porcentuais acima da média de 2008.

A equipe econômica do Credit Suisse, liderada por Nilson Teixeira, tem uma interpretação parecida. Em relatório sobre a PME de fevereiro, o Credit observa que, apesar do resultado do desemprego ter ficado bem abaixo da sua projeção de 9,2%, a redução da população ocupada, de 210 mil postos de trabalho, foi muito próxima da previsão do banco de queda de 225 mil. Assim, o desemprego abaixo do previsto pelo Credit deveu-se basicamente ao inesperado encolhimento da PEA.

Em outro relatório recente, Teixeira e sua equipe preveem um desemprego médio de 9,7% no ano, puxado pelo recuo da população ocupada na indústria. Esse aumento dos desocupados contribuirá, junto com a informalidade também em alta, para reduzir o rendimento médio e a massa salarial real.

Zeina Latif, economista-chefe do ING, com uma visão mais otimista, também aponta a queda da PEA como fator importante no desemprego abaixo do esperado em fevereiro. Mas ela observa que "em janeiro entrou demais (contingente que ingressou na PEA) e agora em fevereiro devolveu um pouco". Zeina prevê que o número de ocupados continue a cair, mas num ritmo menor que o de fevereiro. E, para ela, a massa salarial, que caiu no mês, mas mantém-se em tendência de alta na média móvel de três meses, "continua muito favorável". As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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