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Uma sensação de frustração contagiou ontem o governo quando os ministros receberam, pela manhã, o resultado do PIB do terceiro trimestre, que mostra a recuperação da economia em ritmo menos acelerado do que as apostas oficiais e o risco considerável de o resultado deste ano ser negativo. Mas teve um lado positivo: O resultado mostrou que é preciso colocar o pé no chão.

Uma coisa é o que se projeta, outra é o que está acontecendo na economia real", disse um ministro à Agência Estado. Ele se referia ao alerta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra o "estado de euforia e a sensação de que tudo está bem".

A reação do governo foi uniforme e em todas as declarações o ponto de consenso foi remeter a discussão para o futuro. Está claro, na avaliação de todos, que se 2009 não será tão bom quanto se esperava é certeza de que em 2010, o ano da sucessão, a economia crescerá ao ritmo de 5%. Essa foi a avaliação que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, passou, por telefone, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que no início da manhã viajou para o Maranhão.

ESTATÍSTICAS
Mantega relatou a Lula que a discrepância entre as estimativas oficiais e o resultado divulgado pelo IBGE estava relacionada a questões estatísticas, mas que tanto pelo lado da oferta quanto da demanda os indicadores são de retomada sustentada da atividade econômica. Ou seja, o crescimento acontecerá sem pressões inflacionárias. Há pouco tempo, o ministro afirmava que o terceiro trimestre "estava muito bom" e que a economia crescia a velocidade de 8%. Os dados do IBGE surpreenderam, mas não foram vistos como um problema mais grave porque mostram que ainda assim a economia está crescendo a um ritmo anualizado de 5,1%.

No entanto, diante do quadro em que a perspectiva é, na melhor das hipóteses, um crescimento próximo a zero, e na pior, um resultado negativo para o PIB deste ano, a avaliação de Mantega a Lula foi a de que o governo agiu corretamente ao manter os estímulos fiscais e de crédito. Mais do que isso, ganhou força na equipe a tese de que não se deve conter o consumo das famílias. "Quando ouço alguém defender um corte no consumo fico preocupado. Afinal, é o consumo das famílias que está ancorando a economia. Se mexe no consumo, desmonta a economia", disse um ministro.

O governo acredita na melhoria do quadro nos próximos meses com o argumento de que a alta dos investimentos ainda será registrada pelos indicadores. Segundo técnicos, os benefícios das taxas subsidiadas nos empréstimos do BNDES, adotadas no início do quatro trimestre e o reforço das medidas ontem, não foram captados pelo IBGE. Por isso, a insistência em mensagens como a de um Natal fantástico, na expectativa de que o consumo se manterá em alta, a indústria a todo vapor na reposição de estoques e o governo também dando uma mãozinha: nos próximos dias, deve ser divulgado um novo relatório de receitas e despesas e alguns bilhões serão liberados para os ministérios. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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