RIO - O leve avanço da taxa de desocupação em julho, que atingiu 8,1% depois de registrar 7,8% em junho, ainda não representa cenário de um mercado de trabalho afetado pelas recentes altas dos juros básicos e pela inflação. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), serão necessários mais alguns meses de análise para que fique configurada a mudança do quadro positivo observado este ano.

Para o gerente da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE, Cimar Azeredo, o resultado de julho representa estabilidade, uma vez que a enquete é feita com base em amostragens, o que pode causar certas variações estatísticas.

Não sabemos se movimentações como inflação e aumento de juros já estão afetando o mercado de trabalho. Precisamos de mais alguns meses para confirmar isso , disse Azeredo. Se em agosto o quadro continuar, aí poderemos colocar a pulga atrás da orelha , acrescentou.

Azeredo frisou que os indicadores de julho são em grande parte os melhores da série histórica para o sétimo mês do ano. A taxa de desocupação, por exemplo, superou o recorde de baixa anterior, de 9,4% em julho de 2005.

O técnico do IBGE ressaltou ainda que o nível de formalização cresceu significativamente na média dos sete primeiros meses do ano. Segundo Azeredo, a média dos trabalhadores formais como fatia da população ocupada entre janeiro e julho pulou de 52,7% no ano passado para 54,5% este ano. Como formais estão incluídos os empregados com carteira no setor privado e todos os funcionários públicos, inclusive militares e os não-estatutários.

Em julho, o nível de formalização atingiu 54,3% da população ocupada, contra 54,4% em junho e abaixo do pico de 54,9% de abril.

O rendimento médio real ficou em R$ 1.224,40 em julho, 3% acima dos R$ 1.188,20 de julho do ano passado, mas 6,2% abaixo dos R$ 1.305,70 observados em julho de 2002.

Azeredo revelou ainda que a população ocupada média entre janeiro e julho subiu 15,9% entre 2003 e 2008, passando de 18,4 milhões para 21,4 milhões, enquanto a população em idade ativa avançou 10,75% em igual período, pulando de 37,1 milhões para 41,1 milhões entre janeiro e julho deste ano.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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