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SÃO PAULO - Os resgates de fundos na Opportunity Asset Management após as prisões de executivos da empresa na operação Satiagraha atingiram cerca R$ 1 bilhão nos dias 8 e 9 , segundo o diretor comercial da gestora, Fernando Rodrigues.

O valor inclui não somente os resgates dos fundos abertos, como os fechados e os com carência - cujos recursos só devem ser liberados nos próximos meses.

Segundo o executivo, o valor corresponde a 6,2% do patrimônio total da gestora, estimado em R$ 16,1 bilhões, e não R$ 20 bilhões como consta na Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid). A diferença de patrimônio se refere à dupla contagem na Anbid dos fundos que aplicam em carteiras do próprio Opportunity, os fundos de investimento em cotas (FIC).

Segundo Rodrigues, a diferença do valor atual e do estimado inicialmente, de R$ 100 milhões em resgates no primeiro dia e um valor um pouco maior no segundo, se deve ao fato de que os números parciais levaram em conta apenas os saques em fundos abertos e com liquidez imediata. O número atual inclui também o que foi pedido agora, mas que só vai sair da cota daqui a 30, 90 dias , explicou o executivo.

Rodrigues considera que o total resgatado não é significativo, lembrando que o patrimônio da gestora costuma variar até mais que isso por conta das oscilações de mercado. Como 60% dos recursos estão aplicados em renda variável, uma oscilação da bolsa, como a do mês passado, pode fazer nosso patrimônio cair ou subir quase 10% em um mês .

Segundo o diretor do Opportunity, a maior parte dos saques continua sendo dos chamados investidores institucionais, em geral grandes bancos que oferecem fundos de outras instituições para seus clientes de alta renda, incluindo os do Opportunity.

"Se os clientes sacam ou se o banco tem alguma restrição a gestores com problemas na Justiça, o dinheiro é resgatado. A maior parte dos valores saiu de fundos multimercados", afirma Rodrigues. Segundo ele, a maioria dos clientes pessoa física - que respondem por 80% do patrimônio da gestora - continua mantendo as aplicações.

O executivo lembra ainda que, antes dos problemas, a gestora acumulava captação líquida no ano de R$ 200 milhões, especialmente em multimercados. O valor de R$ 1 bilhão resgatado em dois dias é praticamente igual ao que a Opportunity Asset captou em todo o ano passado.

Ontem, segundo ele, os clientes estavam mais calmos com a notícia de libertação do principal executivo da gestora, Dorio Ferman, e de diversos integrantes da diretoria da asset. A expectativa é de que Ferman retome as atividades ainda hoje.

Rodrigues acha que o pior dos saques já passou. "Nossa experiência em 2004 mostrou que o pior são esses dois, três primeiros dias", diz. Na época, a Polícia Federal invadiu a Opportunity Asset e confiscou documentos e computadores, mas não fez prisões.

Segundo Rodrigues, os gestores estão fazendo tudo para manter a normalidade das operações, como oferecer o máximo de transparência e abrir as carteiras dos fundos sem o atraso regular de 90 dias. "Os investidores podem ver o que têm nos fundos para não serem surpreendidos por informações erradas", diz. Ele afirma que, além de Ferman, outros diretores devem reassumir suas funções hoje na gestora.

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